Resumo da ópera


No aeroporto, flores. A casa surpreendente mais cheirosa do que a deixei; amo gente zelosa. Quilos de roupa lavada sob o céu nublado. Lakshmi e Shiva no lugar de maior destaque. Massagem. Cabelo cortado. Pizza. Vinho. Amigos.

A vida é demais. Como pode tanta coisa se passar em ligeiros três meses?! A mente indaga e o coração ri; este sim entende a atemporalidade.

Teve café na Etiópia, teve a agitação de Delhi, a calmaria gelada de Dharamsala, teve casamento deslumbrante em Jaipur, amor à primeira vista por Rishikesh, teve seva, macacos, marida, vacas, rato, moto, sangha, flow, Ganga, kiirtans, ayurveda, tantra, meditação, austeridades, cores, amores, sabores, silêncio, Baba, câmera e ação.

Mudaram as estações e tudo mudou. Meu olhar, meu andar, meu sentar, meu sorrir, meu cantar, meu calar.

Gratidão é a palavra batida que mais se encaixaria ao sentimento que criou este texto. Escolho outra, no entanto, para resumir o que representou a jornada indiana: “Ouvir”.

Ouvi meu coração. Ele canta quando a mente cala. Ouvi e obedeci. Que sinfonia! Que sintonia. Sigo caminhando. Não com o objetivo de chegar. Mas de caminhar. Observando, ouvindo, cantando, compartilhando e sorrindo.

Até breve, Índia

Último dia na Índia. Dez horas seguidas de sono na cama mais confortável, limpa e cheirosa possível. Me presenteei nos últimos dias com um cinco estrelas inimaginável.

Do elevador ao salão de café da manhã, sou recebida com sorrisos imensos de quem sente que meu coração está aberto. Pessoas elogiosas me perguntam de onde venho. Não digo ‘do Brasil’ e sim ‘de Rishikesh’. Incrível como só tenho encontrado gente nascida lá desde cheguei aqui em Delhi. Talvez porque eu também me sinta um pouco de lá, aí a atração.

Saio do hotel em direção ao metrô, dou alguns passos na rua. Sol intenso. O senhor do tuktuk me oferece transporte até a estação. ‘No change’, eu digo. Ele: ‘ok, no money’ e me leva de graça. ‘God bless you’.

Contrário a todo tipo de medo que me tentaram transmitir desde o início, meu caminho foi recheado de gente educada, atenciosa e carinhosa. O seu Manoj​, da foto, é um exemplo de tudo isso, um combo de amor. Sou sua ‘sweet daughter’. A Índia me foi sempre lisonjeira!

Silêncio. É o que sinto neste instante em minha mente. Graças a quase três meses num lugar sagrado. Graças aos satsangs diários. Graças a doze dias de retiro em mauna, que significa se abster de todo tipo de comunicação, até mesmo olhar o outro… Quanta paz. Quanta graça. Vivi o inferno e vivi o céu. Meu guru é foda.

Compro uma linda e grandiosa escultura, não estava exposta, uma encomenda esquecida: a única de Lakshmi. Era ela. Rara, delicada, esculpida com perfeição. Já de volta ao hotel, reparo que ela está sentada como eu costumo me sentar, com uma perna em lótus e a outra não. Feita pra mim.

No whats, leio e ouço mensagens de amigos e familiares, todas falam de amor e trazem corações vermelhos. ‘Good karma’, como se diz por aqui. Na saída para o aero, encontro mais um conterrâneo de Rishikesh e no check-in garanto os costumeiros 3 assentos. ‘Good karma’.

Sinto neste instante saudade sem apego, talvez coisa de quem tem a certeza de que isso tudo de forma alguma é um fim, pelo contrário, tá só começando.

Brasil, estou no meu caminho. Não de volta, mas de passagem, ainda que longa. Porque meu lugar não é uma casa, uma cidade, um país. É o mundo.

De volta às câmeras 


Trabalhamos dentro do propósito quando colocamos o amor em movimento, através dos nossos dons e talentos. Pois bem, um dom que se evidenciou muito cedo para mim foi o da comunicação. 

Desde criança, assumia o microfone com felicidade nas reuniões do Interact. Jornalista, cheguei à Rede Globo, realizei o sonho de ser correspondente na Itália, trabalhei com os profissionais que mais admirava… mas uma forte sensação de desencaixe me fez optar por outra direção. 

Pedi demissão, mergulhei no autoconhecimento, fiz dezenas e dezenas de cursos, especializações, imersões, retiros, catarses. E em sete anos nessa nova trilha, descobri outros dons relacionados à sensibilidade interpessoal e intergrupal. Hoje sou muito realizada como professora, palestrante e coach. Mas, de alguma forma, a jornalista sempre esteve ali, como se aguardasse por algo. Pacientemente

Quando vim pra Índia, minhas meditações me levavam sempre a refletir sobre minha antiga carreira. Estava intrigada com isso, um pouco incomodada até. No início da temporada do Prem Baba, fui chamada a fazer os anúncios diários antes da fala do Guru. Eu e o microfone, o microfone e eu. 

Pouco tempo depois, um convite para uma reunião com Baba e voilà. Volto para a frente das câmeras integrando a equipe do novo Global Talk. Lindas novidades estão à caminho… 

Numa conversa com ele outro dia, comentei o quão interessante era o fato de eu ter dado uma volta enorme para hoje eu estar me sentindo totalmente encaixada em algo que já fazia. E meu Guru sabiamente concluiu: foi exatamente essa volta que fez o ajuste fino. Foi essa belíssima volta me trouxe até aqui.

Abrir de olhos

Tava agora no FaceTime com a mamis explicando pra ela como funciona o processo de despertar, a tal iluminação. Craaaaro que estou reproduzindo o que aprendi com o Baba, Gautama, Osho bróder, Walsh, Tolle, monja Coen, Tenzin e outros queriduchos que me fazem companhia na troca cósmica de ideias… Porque ainda estou com um olho aberto e o outro fechado, tipo boneca quebrada, sabe como?!

O tal despertar é quando a gente enxerga que é dois. Isso simplificando bem a conversa, porque a gente é tipo uma multidão, uma torcida de futebol inteira. Bem desorganizada e briguenta, por sinal. Voltando à história do “dois”, a gente tem um Eu Superior (assista ao filme Eu Maior que é legal e fala um pouco disso) e tem um Eu Inferior. Esse Eu Inferior é meio que todo cagado, porque funciona na exata mesma energia do Eu Superior só que no pólo invertido (tipo bem x mal, Ruth x Raquel). Então se humildade é coisa do Eu Superior, orgulho é do Eu Inferior. Se temperança é do Eu Superior, a mesma energia invertida é a da gula e otras compulsõeszitas más. E essa lista continua infinitamente.

Quando a gente tá totalmente dormindo, com ‘os dois olhos fechados’, simplesmente não tem controle consciente das nossas ações. É como se a gente fosse um carro e o comando dele fosse revezado: às vezes quem dirige é o ciúme, depois a inveja, o cigarro, o café, a preguiça, a vítima, o agressor… MENOS POR NÓS, WTF! (porque a gente de verdade, a tal essência, é o Eu Superior).

Ei, tão reparando a insanidade disso? Quando a gente se dá conta, tipo abrindo um olho, a gente percebe que o nosso carro está cheio de doidos, cada um querendo ir para um lado e causando um sofrimento danado na gente e nos outros, porque é impossível se punir sem respingar nos outros.

Ok, Aline. Despertar então é expulsar todo mundo do carro?
Not so easy.

Despertar é (pelo o que me contaram de forma convincente e eu acreditei, porque ainda não cheguei lá) simplesmente assumir o comando do próprio veículo. Tá, não tão ‘simplesmente’. Porque ainda assim, de repente, aparece o passageiro medo, por exemplo, e ele te fala “vai pra aquele lado”. Só que aí você olha pra ele, escuta, mas escolhe não obedecer. Porque finalmente quem manda no seu carro é você. E aí o ‘iluminando’ vai fazendo isso sucessivamente, botando ordem na bagunça do carro, até que esses desdobramentos todos do Eu Inferior param de encher o saco dele.

Acho que entendi, Aline. E agora, por onde começo a abrir o olho?
A resposta escrevo em maiúsculo pra gravar bem, prepare-se: AUTOCONHECIMENTO. Olhar cacaca por cacaca.
Eitcha, que preguiça! Tem atalho?
NOPS, sorry. Terapia, coaching, meditação, autoinvestigação…

Ok, tô agora me conhecendo, olhei para os meus sentimentos negados, as lágrimas não derramadas, as palavras não ditas, o amor negado, curei a criança ferida… Pego automaticamente a direção do meu carrinho?
Tenho duas notícias pelo o que aprendi com o Baba: pode ser que sim e pode ser que não.

Credo, Aline! Por que ainda não?
Porque pode ser que a gente esteja viciado em sofrer?
Whaaaat?

Sim. Sabe tipo aquela história da mulher que apanha apanha apanha do marido e quer de todo jeito se livrar dele; aí ele é finalmente preso e ela quase morre de desespero e faz de tudo para soltá-lo? Tipo isso. A gente acaba, pelo tempo de uso e força do hábito de milênios e milênios de humanidade caduca, sentindo prazer em sofrer. É o que o Baba chama de ciclo do sadomasoquismo, que é um processo físico-químico mesmo (tipo meu vício por cafeína — aguardem que ainda vou escrever sobre a minha sofrência na experiência de 14 dias sem meu cafezinho, que me gera uma vontade de matar todo mundo; olha o tal Eu Inferior aí gritando).

Quando a gente se conhece e se dá conta da engrenagem sádica do prazer em sofrer, aí sim pode escolher (sim, é sempre uma escolha) se desidentificar da história que a gente conta pra gente de quem a gente é e parar de fazer o que não está dando certo.

Parece fácil, mas nesse ponto, a sensação que vem é do tamanho do medo da morte. E é morte mesmo. Só que quem morre é essa esfera inferior de dor, não você você. Capiche? Aqui não podemos cair na principal estratégia do Eu Inferior que é: te fazer acreditar que as coisas que acontecem contigo não dependem de você. Momento para uma citação do Baba: “a autoresponsabilidade é a pedra fundamental que sustenta o templo da consciência”.

Dói, Aline?
Dói que é o cão! Mas sem a menor sombra de dúvidas a dormência da depressão e da ansiedade doem infinitamente mais, só que tendemos a anestesiar o sofrimento com as compulsões nossas do dia-a-dia. Ou os remedinhos. Aí nos culpamos e retroalimentamos o tal do ciclo sadomasoquista, nos punindo mais e, consequentemente, machucando todos os outros ao redor. Credo.

Viu que inhaca? Bora acordar?
Se tiver coragem de começar ou continuar, assim como eu, exercite a coerência entre pensamento, palavra e ação. Essa tríade é aquela parada que tenho tatuada no braço, que, basicamente, resume o caminho da iluminação: pensar bem, falar bem e agir bem. Aí, quem passa a mandar é o coração e o resultado é flow, alegria e mais flow.

O dia em que vi o amor em movimento

fullsizerender-23Tenho tanta tanta tanta coisa bacana para escrever que me peguei no bloqueio de não saber por onde começar. Tava bem mais para dentro que pra fora esses dias e deixei acumular muitos satsangs, novidades e sincronicidades sem compartilhar por aqui. Aí decidi vir agora à noite para o ‘meu’ escritório aqui em Rishikesh. Essa foto é de agorinha, à meia luz de mais de meia noite.

… Pausa para uma observação importante: Na boa, achava que vinha pra umas férias e aconteceu o oposto. Há muito tempo que não trabalhava tanto na vida, tá óótemo! A agenda aqui funciona de domingo a domingo. Acordo cedinho, me alimento, me exercito e venho para o Welcome Center, que fica a um lance de escada do meu quarto, no rooftop do hotel onde estou hospedada (gracias, flow). Saio para o Ashram no meio da manhã, faço as boas vindas e os anúncios ao público antes de o Prem Baba começar a fala dele. Almoço perto de 14h e à tarde tenho feito gravações da comunicação global do Baba (óia que chique). Acabou? Nahīmn! À noite tenho aulas de hindi. Já consigo até captar pedaços de conversas no ar. Fim da pausa …

Voltemos ao meu escritório nesta noite para tentar escrever alguma coisa… Estava relendo as anotações do satsang. Pensei: vou escrever sobre a não violência do feminino e do masculino, que é a chave para resolver os relacionamentos todos. Ou sobre como aquietar os pensamentos de forma imediata. Ou sobre a anatomia sutil que rege as doenças psicológicas e físicas. Ou sobre a causa raíz da depressão e da ansiedade e como se reencaixar dentro da gente. Ou sobre como encontrar o propósito da vida e acordar feliz pra ir trabalhar. Ou sobre como dominar uma compulsão. Ou sobre permanência e impermanência, que é o que faz a gente ficar identificado com o ego e não com a essência. Ou sobre como prender nosso próprio desenvolvimento é absurdamente mais trabalhoso do que simplesmente soltá-lo…

Tão percebendo como tem sido do grande car**** essa minha vivência aqui? São anos e anos do mais refinado aprendizado em alguns meses. Bão dimais da conta, sô!

Aline, volta ao escritório!
Ok.

Enquanto relia as anotações, um barulho na porta de vidro. Uma mulher. Eu, de longe, desde a minha mesa, fiz uma cara feia e um gesto querendo dizer: “pô, tá fechado. Só abre amanhã cedo. Não enche”. A mulher não me enxergava bem do lado de fora e tentou abrir a porta. Tava com cadeado. Levantei. Saco! Eram duas mulheres, queriam falar com alguém da organização. Percebi que algo não estava bem. Abro a porta e descubro que as duas haviam chegado hoje à Índia, uma delas entrou em crise de pânico. A amiga que estava bem sugeriu à outra que falasse com alguém daqui antes de remarcar a passagem de volta para amanhã. Aí eu chego na história.

A moça que não estava bem entra, tranco a porta novamente (porque há macacos do djanho aqui que invadem os ambientes — sério mesmo). Pergunto o que está acontecendo. A resposta vem num combo: relacionamento com o namorado, propósito de trabalho, transtorno de ansiedade, sensação de desencaixe, mente agitada, remédio tarja preta… Resumo da história em uma palavra: medo.

Conversamos. Falei da minha chegada, da tensão que senti ao andar nas ruas em Déli, dos dez dias em que meu intestino não funcionou (ayurveda, gracias por existir), dos mitos sobre a Índia, de onde comer pizza por aqui, da sujeira, das buzinas, das belezas, do primeiro dia estranhíssimo da minha experiência sem café (vai ter um post especial sobre isso. ah vai); ela relatou a forma mirabolante que veio parar aqui e contou um pouco do processo dela.

Pedi permissão e fiz uma aplicação de reiki. Senti que ali tinha uma força extraordinária desabrochando… Em alguns minutos, estava eu no quarto dela, levando um chá forte de camomila com mel, uma banana, um abraço apertado e um até amanhã.

Experienciei num instante tudo o que havia acabado de estudar: a paz de quem conseguiu sair do amanhã para vir para o agora, de quem saiu da identificação da impermanente “nuvem” e se lembrou que era o “céu”, de quem sentiu que deixar livre é infinitamente menos trabalhoso do que prender, de quem se deu conta de que quando as coisas não estão indo bem o que se tem que fazer é: “nada!”.

Parar, respirar, observar que parte da gente é que está esperneando e por que; rir das cagadas (ou da falta delas), pedir ajuda, tomar um chá com mel, um banho quente, ouvir música, cantar. Sentir o amor em movimento. Às vezes, pelas mãos de uma pessoa ainda totalmente desconhecida.

Posso dizer… ao abrir a porta e o coração, quem foi inundada de amor fui eu. 

Amar é deixar o outro livre e ser livre

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O satsang de hoje foi sobre amor e liberdade, tema do penúltimo livro do Prem Baba. Ele foi indagado sobre uma frase dele que é fácil de entender, mas difícil de aplicar: “amar é deixar o outro livre, inclusive para não te amar”. Oh god.
 
Vamos lá que vou tentar passar adiante o que compreendi da mensagem dele e que, há tempos, acredito ser bastante pertinente. Se a vida é uma escola, os relacionamentos são a universidade. Neles é que encontramos maturidade para aprender sobre os mistérios da vida.
 
O problema é que quando nos relacionamos temos a tendência, mesmo que inconsciente, de tentar controlar o outro, de fazê-lo pensar como a gente, de esperar que ele atenda às nossas expectativas… resumindo, temos a ilusão de que é possível fazer algo para que o outro nos ame.
Dependendo dos referenciais que tivemos (na infância, nas experiências passadas etc), podemos adotar diferentes estratégias para isso. Se aprendemos que conseguiremos amor sendo vítimas, ou seja, nos rastejando, nos colocando como dependentes do outro, agindo como se sem o outro não existisse vida…, nos especializamos nessa habilidade. Se aprendemos que o melhor é sermos distantes, indiferentes, controladores… nos tornamos experts nisso e passamos a vida agindo assim. Esses são apenas dois exemplos das inúmeras estratégias de sedução que existem; estratégias para buscar controlar o que o outro sente por nós.
 
A grande maluquice disso tudo é que esse outro na verdade não existe.
WTF, Aline?!?
Calma, explico.
 
1. Existe o outro.
2. Existe a imagem que construímos do outro.
Sem muito autotrabalho, enxergamos e nos relacionamos apenas com o aspecto número 2.
 
Enxergamos o outro a partir da imagem que atribuímos a ele. Essa imagem é uma projeção da nossa mente. Ou seja, a pessoa que idealizamos foi criada por nós mesmos. Essa ilusão é fruto da nossa carência afetiva e, inevitavelmente, gera sofrimento porque com certeza absoluta as nossas expectativas não serão atendidas.
 
A tendência que temos é de nos conectamos com pessoas que representam a parte ferida de nós mesmos. Elas nos mostram o que dentro da gente ainda é preciso ser trabalhado; os padrões que repetimos, os vícios que carregamos etc. Nessa lógica, se eu, por exemplo, tenho a expectativa num relacionamento de proteger alguém, quem será na verdade que estou tentando proteger?
 
Vamos supor que nessa altura você esteja pensando:
Eita, Aline. Esse texto tá complicado… Mas vamos supor que eu tenha entendido alguma coisa, tipo que o outro é uma projeção de um eu ferido que eu estou tentando salvar e tal, aí crio expectativas em cima dessa pessoa, cobro o amor dela, prendo ela no pé da cama, sinto ciúmes, quero que ela aja conforme minhas expectativas… O que é que eu faço com toda essa M???
 
Tenho duas notícias em relação a isso, uma boa e uma ruim. A ruim é que é bastante trabalhoso mesmo romper com padrões destrutivos como esses. A boa é que sim é possível cessar com esse ciclo vicioso. Terapia, coaching, auto-observação certamente podem ajudar.
 
O importante nesse trabalho é enxergar qual parte de você está tão desesperadamente querendo salvar o outro. E se esse outro é uma manifestação de uma projeção sua, que parte é essa em você que foi esquecida e que precisa de uma outra pessoa para se completar? Isso é muito importante.
 
Quando tomamos consciência dessas partes negadas de nós, temos a oportunidade de nos reintegrarmos, de sermos um novamente; indivisíveis. Ao sustentarmos a presença nisso, não temos mais a necessidade de escravizar o outro, porque já nos sentimos completos.
 
Assim, tomamos consciência de que um relacionamento é o exato reflexo da natureza: podemos plantar uma semente, cuidar, amar, regar, mas não podemos forçar o florescimento. E, caso a semente resolva não florescer, não há nada que possamos fazer a respeito, apenas aceitar.
 
A grande beleza disso tudo é que quando aceitamos o outro como um ser livre, na verdade, nós é que nos tornamos livres.

Prem Baba

fullsizerender-22Começaram hoje os satsangs do Prem Baba na Índia.
Começaram o quê, Aline?!?

fullsizerender-18Prem Baba é um brasileiro, discípulo de um guru indiano, o Maharaj. Baba tem estimulado pessoas do mundo todo a buscarem o que ele chama de caminho do coração: o despertar do amor a partir da cura das feridas emocionais. Quando eu digo mundo todo, é mundo todo mesmo. Como meu trabalho por aqui tem sido receber quem chega no Welcome Center, posso citar pelo menos 25 países diferentes representados nos dois primeiros dias de inscrição para a temporada dele aqui, que termina apenas no fim de março. Depois disso, ele viaja o mundo fazendo os tais satsangs — encontros com a verdade, em sânscrito — que são palestras envoltas em meditação, música e contemplação.

Por que acompanho o trabalho do Baba e por que decidi passar esse tempo com ele na Índia?
Eu não sigo nenhuma religião, apesar de estudar com gosto muitas delas e admirar algumas. Não vejo A verdade num lugar só e a mistureba faz parte da minha vida: carrego comigo cristais, um arcanjo Miguel, uma japamala birmanesa, tenho um Buda em casa, plantas de limpeza, baguá do feng shui, patuás amazônicos, andinos, indianos, tailandeses, africanos, japoneses, assim como vinhos e cafés igualmente venerados, já que para mim essas bebidas são a felicidade em estado líquido. Bueno, ainda não respondi à minha própria pergunta. Por que o Baba?

fullsizerender-20Respondo contando um pouco do satsang de hoje: Um guru brasileiro, psicólogo, respeitado na Índia, que abre os trabalhos com músicas da Umbanda em homenagem a Iemanjá (hoje é o dia dela), e fala das coisas mais pesadas das nossas vidas arrancando risadas de todos. Ah… e descobri algo importantíssimo sobre ele outro dia: ele bebe café.

O que mais gosto é da simplicidade da mensagem: a resposta é o amor. E amor é o que a gente é, não tem nada fora, tá tudo dentro.

Ótimo, Aline… que legal, mas como fazemos para parar de sofrer e ter uma vida de amor, sendo que há contas a pagar e todas as preocupações cotidianas?
Segundo o Baba, o caminho do amor não é todo florido. Para despertarmos o amor que somos, temos que ser corajosos o bastante para desaprendermos a odiar. Ter coragem de olhar nossos medos, nossos traumas e ir limpando um a um. Perdoar e agradecer pelo aprendizado de cada obstáculo. Perdoar e agradecer todos que nos causaram dor (ôiés). Perdoar e agradecer a nós mesmos pelas cacacas e pela rota que nos trouxe até aqui. A chave desse trabalho está no cultivo do silêncio, na meditação.

Quando trilhamos isso, paramos de nos sabotar (sim, inconsciente, travamos sadicamente as nossas vidas) e ativamos a lei do mínimo esforço, que eu gosto de chamar de flow (meu único deus). As coisas vêm de forma fácil, nos sentimos no lugar certo, com as pessoas certas, fazendo a coisa certa e do jeito certo. Aí vem grana, vem amor, vem felicidade, vem tudo de bom.

Aline, você já tem tudo isso? Ainda não. Tenho bastante trabalho a fazer. Mas (por mais pretenso que isso possa parecer a alguns) não estou longe não.

Seva

seva

Desde que pisei no Ashram do Maharaj, guru do Prem Baba, senti uma vontade muito grande de ajudar com o que quer que fosse. Havia ali um magnetismo inexplicável de amor (tipo de coisa que só indo mesmo pra saber). Havia também muito trabalho a ser feito antes da chegada de centenas de pessoas para a temporada que começa amanhã.

Nos primeiros dias, apenas eu, a Andréa e o Mikaël, que é do staff, ficamos responsáveis pela preparação de todo o salão. Foram quatro dias agachada, tirando tinta e gesso do piso, fullsizerender-15com uma espátula improvisada.

Pode parecer estranho eu dizer que enquanto fazia isso estava absolutamente feliz. A sensação era a de que ao limpar cuidadosamente o chão, arrancava também com carinho a craca toda do meu coração.

Nos dias seguintes, mais gente foi chegando. Ao meu lado, uma professora de yoga, um ator da globo, uma coach, duas crianças alemãs, um austríaco casado com uma paranaense, uma chinesa, um inglês, um francês casado com uma americana. Todos iguais, trabalhando pesado com o semblante leve. Voltava para o hotel com o corpo exausto, mas com a mente limpa para receber insights poderosos.

O nome disso é Seva, serviço em sânscrito. Também chamado de Karma Yoga. Esse tipo de trabalho voluntário a uma causa, um mestre, um propósito, cura feridas profundas que a gente às vezes nem se dá conta de que tem.

Agora, faço parte do Welcome Center junto com uma argentina, uma alemã e um americano. Somos responsáveis por acolher quem chega de todas as partes do planeta para os satsangs. Além de conhecer todo mundo e receber muitos sorrisos de presente, estou exercitando deliciosamente os meus idiomas. No sábado, começo aulas particulares para aprender meu sexto: hindi.

Acho graça disso tudo ao pensar que a ideia inicial era só ficar uns dias de bobeira em Rishikesh, curtindo a cidade. Enxergo claramente aqui todos os dias que quando se tem “ideias iniciais” vem o universo e ri da sua cara.

Já sou um ser humano melhor. E ainda tem toda a temporada pela frente. Continue me surpreendendo, Índia. Eu deixo.

Casamento indiano

img_5992Foi a festa mais impressionante da minha vida. Imagine você ter a oportunidade de ir a um riquíssimo casamento tradicional indiano em Jaipur, a cidade rosa, a cidade do amor.

fullsizerender-12No ano retrasado, tive a sorte de ganhar um irmão mais novo indiano, Naman Jain. Ele viveu um ano de intercâmbio no Brasil, como filho dos meus pais. Como boa sis, eu fiquei responsável por coisas que teoricamente ele não poderia fazer sozinho, como comprar álcool, além de explicar sobre como ser discreto, sobre relacionamentos e dividir com ele minha visão de mundo. Creio que tive alguma influência, já que ontem descobri que ele meio que chocou a família logo que voltou do Brasil, ao comunicar que queria estudar jornalismo, relações internacionais, psicologia, que iria viajar o mundo e não pretendia se casar.

Pois bem, ontem quebramos mais algumas regras ao ficarmos abraçados por uns cinco minutos no aeroporto e andarmos grudados e de mãos dadas por todo lugar.

Desde o Brasil, a gente matutava sobre como se encontrar, já que ele está naqueles dois anos finais da escola, perto das provas para as universidades; mora no sul, eu estou morando no norte e a Índia é gigante. Foi quando surgiu a ideia de eu acompanhar a família dele no casamento de uma prima numa cidade no meio do caminho para nós. Uau.

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Impressões: a família é imensa, todo mundo é meio que primo. O casamento foi enorme, deslumbrante e cheio de música, flores, luzes, cores, drones e ouro; custou fácil uns dois bons apartamentos. Não há bebida alcoólica, mas, na boa, todo mundo chegou bêbado lá. Até a gente parou pra comprar vinho antes da festa (oba! estava numa baita abstinência porque há regiões na Índia onde álcool é proibido, a minha é uma delas). Havia toneladas de comida ignorantemente deliciosa de todas as partes de mundo. Eram cerca de 40 tendas com pratos diferentes preparados na hora, na nossa frente, servidos em pequenas porções. Experimentei de tudo e saí rolando, me sentindo uma pamonha amarrada no sari.

fullsizerender-14Ah, o sari! Nunca me senti tão linda. Sem exageros. Devo ter vivido muito nessas roupas lá pra trás. Fui preparada para o casamento pela avó, uma tia, uma prima e a mãe do Naman. A mamis dizia a todo o tempo que se sentia vestindo uma filha (ela só teve dois rapazes gatos). Como primogênita, ela é a responsável pela amarração da roupa da família, é a que mais manja dos paranauês. O sari não é um vestido, são metros e metros de um tecido finíssimo, bordado a mão com pedras e brilhos. A regra é: se você está respirando, está largo. Por incrível que pareça, me dei bem com o aperto, mesmo sendo uma cinestésica muito crica com conforto. Deve ser porque eu tava me sentindo toda deusa 😉

Jóias e mais jóias, uma aula básica de boas maneiras com a roupa (não tive coragem de fazer xixi o casório todo – e olha que faço muito xixi) e partimos prontos para o deslumbre. Uau. Uau. Uau. Na saída, ao devolver as joias emprestadas, descobri que algumas delas eram minhas. O sari também. Chorei. No hotel, não queria tirar a roupa nem pra tomar banho.

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Como viver o mundo é sensacional. Como é bom amar pessoas em cada lugar. Meu irmão, a gratidão não cabe em mim. Repito a frase mais falada da noite por nós dois: que bom você pertinho, amo muito você.

Himalaias de moto

fullsizerender-7O dia começou com uma proposta interessante, subir os Himalaias de moto, passando por três lugares sagrados. Mas, como vocês bem estão acompanhando, aqui as coisas surrealmente só melhoram. Aluguei a moto com o Mohan, um indiano natural de Rishikesh que é casado com a linda Rebeca. Eles passam metade do ano aqui a outra em Curitiba. Conhecem as melhores coisas, lugares e pessoas da Índia.

Coloquei a Andrea na garupa e seguimos pelo trânsito insano da cidade até a estrada das montanhas. Primeira parada: pés dos Himalaias, beira do Ganges, uma caverna onde um homem santo se iluminou. Entrar lá é entrar em meditação instantemente. Comecei a ouvir todo o meu corpo, ouvi o som do silêncio. Saí e me sentei perto do rio. Entendo o homem santo que preferiu a caverna, mas meu lugar é sempre sob o sol, perto da água e do ar. Que beleza de rio. Estou completamente apaixonada pela Ganga.

Seguimos para cima. Estradinha cheia de curvas, macacos, vacas, sustos, gargalhadas, e vista ignorantemente fodástica. Chegamos ao primeiro Baba do dia. Ele é um sadhu, um homem que abriu mão da matéria para se dedicar à devoção. Ele cuida de um pequenino templo a Shiva, local onde também dorme e se alimenta. É um paraíso cheio de flores, pássaros e um gramado tão bem cuidado e varrido que se confunde com um tapete de luxo. Ao chegar lá, um grupo da comunidade estava no meio de uma cerimônia de três dias, entonando mantras em jejum, sem sair de lá, dormindo num alojamento improvisado. Participamos do Arathi, uma cerimônia linda, feita ao nascer do sol, ao meio dia e ao pôr do sol, com flores, fogo, incenso e oferendas (pujas). img_5612Abençoados ali, preparamos nosso almoço na pequena cozinha do Baba, um arroz indiano de lamber os beiços e as mãos. Quando terminamos, uma senhora da montanha de 85 anos, nos levou para uma pequena caverna cheia de morcegos bem embaixo do templo. A velhinha tinha uma flexibilidade absurda para se encafifar naquele lugar. Fomos convidados para dormir no alojamento, mas seguimos Himalaias acima para encontrar no cume de uma montanha, outro Baba.

fullsizerender-5Esse segundo sadhu, amparado pela energia de Durga, mexeu com meu centro. Senti que ele tinha algo pra me dizer. Depois das bençãos (linhas amarradas nos pulsos com voltas de acordo com o feeling do cara, flores colocadas na cabeça e aqueles sinais na testa, geralmente feitos com cúrcuma – que há quem acha que é machucado na testa), pedi para o Mohan traduzir em hindi que eu gostaria que ele escrevesse de volta uma frase. Ah.. esse sadhu fez voto de silêncio e se comunica com a ajuda de um pequeno quadro negro e um giz. Ele segurou minha mão, olhou fixamente nos meus olhos por uns dois minutos, fez sons estranhos e começou a falar sobre a minha vida. Perguntou com o que eu trabalhava, falei que com algo parecido com psicologia (nem minha família entende direito o que eu faço, imagina ele), aí sou surpreendida com a frase no quadro “teacher. you are the best”. Depois ele escreve “boyfriend” no quadro e faz uma cara de interrogação. Eu digo que não, meio que não, não. Não. Ele solta uma gargalhada, continua falando coisas sobre meu pulso fino em contraste com minha força, meus desafios… e no final ele crava que eu certamente voltarei lá para vê-lo. Casada. Gargalho. Ainda tomamos um chá com o Baba antes de iniciarmos a descida congelante ao por do sol. Uau. Uau. Uau. Hipotermia no corpo e deslumbre sem limites por tudo o que coube em um dia. A aventura terminou comigo pilotando a moto à noite na estrada indiana, em mão inglesa, com farol apagado. Banho, sopa, risos, conversa boa com minha parceiraça, chá e boa noite.

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Rishikesh. Cheguei em casa!

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Uau, Rishikesh! Impressionante como pude me sentir imediatamente acolhida por um lugar ainda desconhecido. Parece até que já estive aqui muitas vezes, de tão à vontade que estou. Rishikesh será meu lar por três meses. Cheguei à noite e abri um sorriso que simplesmente não descolava da boca. No amanhecer, uma paixão arrebatadora pelo rio Ganges. Ganga, para nós íntimos.

fullsizerender-3Daqui, retomei meus atendimentos de coaching e mentoria por skype, numa salinha do hotel, ao lado do meu bróder Osho.

Os dias seguintes foram de mergulho na Ayurveda, medicina tradicional indiana que é um dos maiores focos de aprendizado da minha jornada na Índia. Fui examinada por um ancião, com inglês rudimentar, que identificou meus doshas predominantes, cravou todos os meus incômodos e prescreveu em sânscrito cinco fitoterápicos e um panchakarma – a massagem tradicional com óleos. Foi a quatro mãos. Duas senhoras me besuntaram por uma hora dos cabelos às unhas dos pés. Focaram na cervical, me batendo com uma coisa quente. Agora to achando engraçado, mas pensei na hora que fosse ficar queimada. Nos minutos finais, dormi pesado. Deu certo o negócio.

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O processo de cura ayurvédica se baseia em seis pilares: alimentação, plantas medicinais, massagem, rotina, yoga e meditação. Há alimentos ou hábitos que não fazem bem a algumas pessoas e são excelentes para outras. Ao identificarmos nossos doshas predominantes e cuidarmos com o o que, como e quanto comemos, por exemplo, equilibramos nossos comportamentos e reagimos menos instintivamente às situações. Ou seja, ficamos mais emocional, espiritual e corporalmente inteligentes. Acho isso sensacional e vou agregar ao meu trabalho de facilitação de travessias, com a formação intensiva em Ayurveda que começa em breve.

Nova Deli e Daramsala

Parti da Etiópia com vontade de mais daquele lugar. O destino, porém, era outro. Destino. Não havia estranhamente ansiedade pela Índia. Desde o Brasil, a sensação era de que, de alguma forma, estava indo para casa. Quando no mapa do avião apareceu “Delhi”, tive sensorialmente a confirmação. Chorava e ria, ria e chorava.

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O flow seguiu comigo o tempo todo: três poltronas só pra mim na primeira fileira do avião, entrada sem filas na Índia, mala chegou direitinho, motorista do hotel me esperando com plaquinha, quarto sensacionalmente lindo. Sem limites no deslumbre, não conseguia dormir. Não queria dormir. Vontade de sentir tudo. Com a intensidade e a paixão que me definem.
Acordo com cheiro de café e barulho lá fora. Olhar a rua da janela já é um espetáculo à parte. Sorria para o belo caos. Era toda gratidão.

Será que melhora?

Desde o começo pensei numa viagem solo, mas sinceramente não sentia que estaria sozinha aqui. Muita gente me apareceu com a intenção de vir, mas a vida me presenteou com uma parceira para essa primeira parte da viagem há apenas alguns dias.

fullsizerender-5Andrea me incomodava. Eu incomodava a Andrea. Por mais que fugíssemos uma da outra, mesmo sem um porquê, os encontros eram absurdamente repetidos. Saía faísca. Um dia, numa cachoeira, pedra e água, nos encaramos olho a olho demoradamente. Silenciosamente, eu apliquei ho’oponopono nela. Silenciosamente, ela aplicou ho’oponopono em mim, uma técnica de cura havaiana baseada em quatro afirmações: “sinto muito, me perdoe, eu te amo e sou grata”. Só descobrimos depois a “coincidência”. Começamos magicamente a ver uma a outra como um espelho. Que privilégio o meu ter um reflexo foda assim.
Nos encontramos no almoço. Haja Índia pra tanta conversa. Andamos corajosamente pelas ruas, ignoramos olhares invasivos, rimos, rimos muito. Comemos, bebemos, rimos muito. E quando chegamos ao hotel para fechar o dia, não quis subir. Ela me acompanhou. Havia música num beco. Que vontade me deu de estar lá, mas estava escuro e só havia homens — é a Índia… Mas meus deuses! quanta vontade de estar lá… Fomos nos aproximando timidamente mais e mais. Vimos mulheres e crianças ao fundo. E sei lá como fomos puxadas pra dentro. Pro que aconteceu, não há descrição. “Sory”. Só digo que havia música, lindos trajes, linda gente, dança, comida deliciosa de comer com as mãos, abraços e risos, sabendo cada mantra de cór. E a sensação? Não sei. Só sou.

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O dia seguinte foi para agradecer minha Lakshmi, deusa da beleza, da prosperidade e do poder feminino. Ela que está comigo em todos os momentos. Ela que há anos é fundo de tela do meu celular e do meu computador. Ela que me trouxe até a aqui. Caminhamos quilômetros por Deli, seus templos, seus mercados e encantos e encerramos o dia num rooftop sensacional no meio do caos.

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Depois de quatro dias em Deli, partimos de manhã rumo aos Himalaias. Daramsala me abriu instantaneamente o peito. Na saída do avião, meu corpo se acalmou e o ar passou a fluir mais facilmente. Do aeroporto para McleodGanj, a vila onde vive Dalai Lama, estrada estreitíssima, sinuosa e íngrime. img_5290img_5292-1

As montanhas nevadas à frente anunciavam a beleza estarrecedora que estava por vir. Tão lindo quanto frio. Um frio tão intenso que é notícia diária na Índia. Um frio tão intenso que adiou a vinda de Sua Santidade e antecipou o retorno das duas pessoas mais friorentas que conheço. Os hotéis daqui não estão preparados para o calor que eu e a Andrea precisamos para viver.

Seguimos então para casa, Rishikesh, com os corações serenos. Lá serão intensos três meses. Vem comigo?

Parada na Etiópia

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Chegando a Adis Abeba, um sorriso de dar câimbra no rosto; o mesmo da minha primeira grande viagem. Há 15 anos, quando desci no aeroporto de Frankfurt para viver um ano na Alemanha, via as pessoas passando por mim falando aquele idioma ainda indecifrável e ria muito sozinha. Um desesperozinho curioso, talvez… A exata mesma reação vem se repetindo a cada novo desembarque. Aí me dei conta de que esse sorriso arteiro é o mais lindo vício que tenho na vida.

Na saída do avião, numa bagunça danada, um cara da Ethiopian pega meus documentos e fica segurando por um tempão embaixo do braço. “Eita”, pensei. Aí enquanto todo mundo enfrenta filas intermináveis de visto, alfândega, inspeção etc, pulo tudo isso porque o cara me adotou e cruzava todos balcões pra adiantar os procedimentos. Ele mesmo ia carimbando as paradas. A única coisa que me dizia enquanto corria de um lado pro outro era: “follow me”. Followzei.
Eu decidi comprar uma passagem com escala longa na Etiópia pra eu ter a oportunidade de olhar Adis Abeba. Aí reservei hotel, me informei sobre as taxas do visto na chegada etc. Em Guarulhos, fui informada que teria tudo isso e mais todas as refeições e traslados na faixa. Ainda deu tempo em cima do lance de cancelar de graça a reserva no booking.com.
Chegando aqui, pensei, deve ser um hotel simplão. Whaaat?! Hotel top, novinho, com recepcionista americano super atencioso que manja de todos os paranauês daqui. “Ok, deu de flow por hoje”, pensei. Abro o chuveiro e não sai água quente. Problema técnico. Me mudam de quarto: suíte presidencial. Gracias, vida. Boa noite.

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De manhã, desço para o café e sou surpreendida pela querida da recepção, a Beki, com: “você dormiu muito!”, me preocupo, olho o relógio. São 8:30. Sorrio. Tá tudo bem. Peço no hotel um táxi para dar um rolé na cidade. Chega o Abreham, o motorista gato da foto. Fiz um grande bróder por aqui (tá comigo agora o colar que o protegia até então).
Entro no carro que certamente é mais velho do que eu. “So now, church or coffee?”. Quem me conhece não tem a menor dúvida do que respondi com firmeza antes mesmo de ele terminar a pergunta.
Ligação direta no carro (chave pra quê?) e seguimos pra um café sensacional daqui. Tudo torrado, moído e coado no próprio salão. Imagina o cheiro maravilhoso do lugar. Café e bom papo, taí o retrato da felicidade. Outra coisa importante: gostar de futebol facilita minha vida em qualquer lugar do mundo. Pro Abreham, o Gaúcho é o melhor jogador que já existiu.
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Abreham e eu na sede da União Africana

Curiosidades: aqui a temperatura oscila muito, tipo no deserto: friaca de manhã e à noite e durante o dia um calorão. A Etiópia e a Libéria são os únicos países africanos que não sofreram colonização europeia. A capital Adis Abeba, com mais de 3 milhões de habitantes, tem aquele abismo social que a gente sabe bem como é. Aqui fica a sede da União Afriacana, o prédio imponente da foto. Liberdade não é o forte Etiópia. Meu novo amigo me pediu pra ser cautelosa com o que escrevo pra ele não ser punido de alguma forma. O facebook foi proibido no país no ano passado. Claro que descobri isso logo que cheguei, tentando sem sucesso atualizar a rede. Mas como ninguém mais vive sem esse tipo de coisa, tem jeitinho clandestino de acessar.

Vale a pena parar aqui mesmo? Se você, como eu, é também viciado naquele sorriso de dar câimbra, sim. Com certeza.

A experiência da Felicidade

_luc3430 No sábado e no domingo, tive o privilégio de apresentar o I Congresso Internacional de Felicidade. Nem nos mais otimistas dos meus sonhos podia esperar algo tão lindo. Tudo no mais incrível flow. Foi na Opera de Arame, em meio à natureza.

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No palco, Prem Baba, Amit Goswami, Domenico de Masi, Susan Andrews e outros tantos amigos corajosos no compartilhar de seus caminhos. Na plateia, minha família, meus amigos e mais de mil buscadores completamente imersos no presente. Lágrimas, abraços gratuitos, muitos sorrisos, corações imensamente expandidos… talvez sejam esses os sintomas mais explícitos da tal felicidade.

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Muito mais importante que o êxtase dos dois dias, no entanto, é a reverberação. Estou recebendo centenas de mensagens de amigos antigos e novos, dizendo que se conectaram com seus caminhos, que tiveram insights gigantescos e sabem agora por onde começar para serem muito mais felizes – até mesmo aqueles que já se achavam no propósito, revisitaram suas convicções.

As conexões também foram surreais e são praticamente inexplicáveis. Como questionar meu pai, um cara durão, ao me dizer que vai viajar para se engajar no doce trabalho da Susan Andrews? E minha mãe que quase se afogou em lágrimas quando o Baba a olhou, mesmo sem saber quase nada sobre ele? E minha irmã, advogada de carreira e artista de alma, dizendo que o Amit a fez compreender como a criatividade acessa a mente dela.

Como esse evento lindo aconteceu? Da onde surgiu? O Gustavo Arns é o grande louco da história (ele é o cara abraçando a Susan Andrews na foto abaixo). Há alguns meses, o conheci numa festa. Ele estava, então, organizando um tal de I Congresso de Física Quântica, que parecia a coisa mais megalomaníaca e insana às mentes desatentas. Combinamos um almoço. Depois, um café. Ajudei com sugestões e contatos de alguns palestrantes. Aos poucos, me vi dedicando um tempo da agenda que parecia ser coisa da relatividade, porque ‘tempo’, como convencionalmente entendemos, eu não tinha para isso. Por algum motivo, eu que prefiro caminhar sozinha, confiei cegamente no sonho desse cara.
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Algumas semanas mais tarde, surgiu o convite para eu fazer uma condução diferente do evento: integrativa, amarrando bem uma palestra à outra. Uau (pensei), nasci para isso! Na primeira reunião, me choquei ao encontrar amigos antigos, que não via há tempos. E minha primeira fala nesse encontro foi: “Vamos mudar o nome do congresso!”. Ao invés de ouvir um “Ei, você acabou de chegar, quem você pensa que é?”, ouvi: “Qual a sua sugestão?”.

Felicidade. Há anos, esse é o meu propósito diário. O que isso significa? Ser feliz no caminho e não esperar que a felicidade chegue em algum dia, quando algo acontecer. Venho descobrindo nesse processo que quanto mais feliz eu sou, mais inspiro outras pessoas a serem felizes também. Claro que sinto dor, tristeza, frustração, irritação, ansiedade e todos esses sintomas de desconexão, mas quando estou assim penso verdadeiramente que está tudo bem, que vai passar. E é só eu me conectar com isso para já começar a sentir gratidão de novo.

E está aí o ingrediente central da felicidade: gratidão. Como nesse momento é só o que sinto, posso dizer com toda a certeza que este texto foi escrito por alguém feliz.

De onde sou?

Num momento de ‘exacerbação patriótica’, de acordo com o meu ponto de vista, acredito ser muito interessante questionar o sentido a pergunta “de onde você é?”.

O TED abaixo, da Taiye Selasi, instiga uma reflexão muito interessante. Onde é casa para você? Para mim, parece limitador demais nos prendermos a conceitos inventados e frágeis, como nação e fronteiras. Eu nasci no interior do Paraná, vivi a maior parte da minha vida na capital do estado, morei em São Paulo, Rio, Roma, Guarapuava, Milão, Sinsheim. Mas me sinto em casa em Luang Prabang, Curitiba, Chiang Mai, Assisi, no bairro do Jardim Botânico no Rio, em Ilha Grande, em Goiânia, em Trastevere, em Pirenópolis, em Franca…

Assim como a Taiye, não me considero multinacional, me considero multilocal – de cada vez mais lugares. E quanto mais deles eu conheço menos certezas eu tenho de que o meu jeito de fazer as coisas é que é o correto, ou a corrente política x, ou a religião y ou o formato de relacionamento z.

Nossa casa é o mundo. Nossos ‘adversários’ são humanos com luz e sombras, iguaizinhos a cada um de nós. O recorte que se faz pode transformar um monstro num santo e vice-versa. Mas é apenas um recorte. Não vejo nenhum problema em fazermos recortes, é assim que nos comunicamos. Problema, ao meu ver, é confundirmos o recorde com ‘a verdade’. E, sinceramente, desconfio de quem diz que conhece a verdade.

Uma jornada

Durante 32 dias, estive no Sudeste Asiático numa jornada que me ensinou coisas lindas sobre mim e sobre o mundo. Caminhei por Myanmar, Camboja, Vietnã, Laos e Tailândia. Ainda em solo asiático, perto de voltar, escrevi um texto que quis compartilhar aqui.

AsiaFinal desta jornada. A imensidão dentro de mim não se traduz. Aprendi nessa viagem que se a gente se conhecesse melhor, o mundo não teria conflitos, porque todo preconceito é fruto do simples desconhecimento. Vim para a Ásia acreditando que encontraria um povo pobre e sofrido, que me mostrou uma riqueza que dinheiro nenhum compra. Pensava que teria problemas com a comida e a higiene e não tive uma refeição sequer que não tenha desejado repetir e aprender a fazer. Achava que os exóticos eram eles, enquanto a exótica para eles era eu.
Escrevo agora sentada num banco dentro de um templo pequeno, pouco visado pelos turistas. Escuto o som dos passarinhos e das folhas secas sendo varridas pelo vento suave, que também balança meus cabelos, me fazendo cócegas no rosto; a temperatura é agradável. Não sei há quanto tempo estou aqui; tempo, aliás, é uma criação nossa que varia muito de acordo com o nosso estado interno. Monges de vestimentas laranjas caminham pelo pátio com a serenidade de quem sabe que ansiedade nos afasta de nós. Qual então o propósito de se perder na ilusão de não perder algo? O sol dá tons diferentes ao verde das árvores e ao dourado das paredes de terracota vermelha. O cheiro é de frangipani; como são lindas as árvores de frangipani com flores brancas e rosas. Borboletas amarelas brincam de esconde-esconde. Ouço um sino de bicicleta e começa a tocar baixinho ao fundo uma das minhas musicas favoritas, num lindo instrumental. Me questiono se ela é de verdade ou é ilusão. O que é a verdade, no entanto? Escuto um diálogo num idioma desconhecido, mas reconheço que as palavras são de amor. Há sorrisos e onomatopeias de surpresa. Aqui sentada não estou longe nem perto. Tenho o mundo dentro de mim.

O chá e o acalanto

Essa reflexão é sobre aceitar ser cuidado. Descobri que tenho muito mais dificuldade nisso do que eu imaginava.
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Nesta última semana, me dediquei a cuidar de um grande amigo que estava em enorme sofrimento. Fiz tudo o que acreditava ser o melhor. E de fato ele está agora muito bem amparado.
Eu, no entanto, me permiti sair do meu equilíbrio pelo orgulho que pedir ajuda ainda representa para mim. Eu pedi porque a situação era de fato muito grave e percebi que o constrangimento causado por esse pedir gera uma forma inexplicável de irritabilidade. E essa irritabilidade, por sua vez, gera uma cegueira em relação a todo o amor que um processo de doação envolve.
Me peguei seriamente no seguinte questionamento: como é possível ser genuína a minha doação se não aceito bem receber? Como explicar a quem quero ajudar que no sentido eu-para-ele está tudo bem, mas a via inversa não?
Ainda não encontrei uma resposta clara, mas fui inundada por uma gratidão tão grande ao chegar a essa pergunta que me propus arriscar mais experimentar o chá e a acolher o acalanto. Ser forte é muito bom, mas reconhecer o momento de receber colo talvez seja muito sábio.

Sobre a felicidade

“A felicidade é entrar em seu próprio ser. No começo, é difícil, árduo; no começo, você terá de encarar a aflição. O caminho é enorme, porém, quanto mais você penetrar nele, maior será a recompensa”. Osho

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Tenho refletido muito ultimamente sobre o esforço que fazemos para não sermos felizes. Das coisas pequenas às grandes aflições, tendemos a prolongar a dor ao evitarmos encará-la de fato. Ela está lá, mas é como se fosse melhor não mexer com ela. Ao fazermos isso, não nos resolvemos com a dor e, consequentemente, não nos permitimos ser felizes porque tem algo pesado logo ali que não deixa.

Essa tendência de tentar esconder de nós mesmos aquilo que dói acaba nos colocando num estado incômodo de expectativa. Transferimos para o futuro nosso bem-estar: “um dia, as coisas vão se resolver”; “tenho fé que um dia vai dar certo”; “quando eu me aposentar…”; “quando eu estiver ganhando mais dinheiro…”; “mais pra frente…”; “daqui a alguns anos…”.

Tem certeza de que vai dar tempo?
No esconde-esconde ilusório (porque a dor está sempre presente de alguma forma, mesmo escondidinha), evitamos pensar na finitude dos ciclos: iniciamos relacionamentos buscando acreditar que são para sempre e vivemos como se não fôssemos morrer. Pense a respeito… o pra sempre, de alguma forma, acaba nos afastando da responsabilidade, que é incondicionalmente nossa, sobre as nossas vidas e relacionamentos. O futuro, no entanto, depende do que fazemos agora, nesse instante.

Quer ser feliz?
O que, então, é importante resolver imediatamente dentro de você para que esse caminho interno de alegria e presença se abra? Acredite, o “monstro” é, de fato, muito menor do que imaginamos. Grandiosa sim é a sensação de nos entendermos com ele. É tão libertador quanto deixar de carregar uma mala cheia de pedras.

O que dá pra fazer?
Essa reflexão toda nasceu de perceber o quanto as pessoas que se consideram leves e felizes lidam com a finitude. A morte e a tristeza, por exemplo, são “monstros” encarados por elas de frente e consideradas apenas parte da nossa vida. E, por isso mesmo, a morte e a tristeza não são monstros, mas, de certo modo, aliadas da plenitude. Trazer claramente à consciência que um dia iremos partir nos ajuda a perceber que a vida é o que existe agora. Se empurramos com a barriga, quando vamos conseguir o que queremos?

Sugestão: faça uma lista das situações de maior felicidade para você hoje. Faça outra do quer fazer/sentir/viver antes de morrer. Não se engane, você vai morrer. O significado que a sua vida terá até lá, porém, só depende de você.

Gratidão!

IMG_7985 Conclusão depois de uma homenagem emocionante: fazer o que se ama é uma escolha certeira. Desde que comecei um MBA na FGV em 2011, tendo aulas espetaculares, sonhava: quando eu crescer, quero ser como esses professores. O convite veio muito antes do esperado e aceito com toda a minha vontade. Agora, homenageada como professora FGV média 10 na avaliação dos alunos, olho para trás, para a mudança de rumos de carreira dificilmente aceita pelas pessoas ao meu redor, para toda a trilha de expansão de consciência – que, apesar de bela, é muitas vezes dolorida -, para a persistência nas fases turbulentas, para as pedras que fui deixando ao longo do caminho, tornando-me mais leve… E tudo o que sinto é uma imensa gratidão. Se eu pudesse voltar no tempo, viveria tudo de novo, sem mudar nada. Por isso, hoje quero agradecer vocês que, de alguma forma, fazem parte da minha jornada. A caminhada é solitária, mas a força para seguir, não. Obrigada!

O fogo e a coragem de brilhar

Hoje é um dia muito especial para o blog. É a chegada de um novo parceiro!

Nicolai Cursino é consultor, treinador e palestrante respeitado no mundo todo em PNL, Eneagrama, Coaching, Hipnose… Meu professor na jornada e meu amigo de alma.

O texto presenteado hoje trata da coragem. Enquanto eu iniciava essa introdução, recebi de outro amigo um trecho do Eduardo Galeano que reflete lindamente sobre isso também:

“O mundo é um montão de gente, um mar de foguinhos. Não existem dois fogos iguais. Cada pessoa brilha com sua luz própria entre todas as outras. Existem fogos grandes, fogos pequenos e fogos de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem fica sabendo do vento. E existe gente de fogo louco, que enche o ar de faíscas. Alguns fogos, fogos bobos, não iluminam nem queimam. Mas outros… ardem a vida com tanta vontade que não se pode olhá-los sem pestanejar. E quem se aproxima, se incendeia”.

À beira do precipício

ni2por Nicolai Cursino

Como escreveu o poeta francês Guillaume Apollinaire…

“Venham para a beira.”
“Não podemos. Temos medo.”
“Venham para a beira.”
“Não podemos. Vamos cair!”
“Venham para a beira.”
E eles foram.
E ele os empurrou.
E eles voaram.
Venham. Vamos, voar juntos.”

Há algum tempo que me inspiro nos versos acima nos momentos de indecisão.

Tenho passado por muitas situações onde as perguntas “Devo arriscar? Devemos dar esse passo?” se colocam à minha frente, e cada uma das vezes, a mesma sensação de escuridão aparece, e a cabeça recua.

E em um instante outras centenas de perguntas: “Como posso ter certeza de que isso vai dar certo? Não estamos arriscando tudo que já conseguimos? E se perdermos dinheiro, e nossa vida ficar mais difícil? E se o buraco for grande demais? Poderá nos engolir?

E mesmo que a cabeça recue, o coração avança. Agir pelo coração, coragem (coeur = coração, age = ação), é também não ouvir seus próprios pensamentos, quando não te levam ao caminho mais alto. É preciso saber distinguir a voz interna que critica e paralisa (inner critic) da voz interna que orienta e encoraja (inner coach).

E então eu me lembro que a beira do precipício é também o melhor lugar para começar um grande vôo. E é onde a vista é mais bonita.

Essa é uma visão que costumo compartilhar incessantemente com meus clientes de Coaching. Todos eles, em vários momentos do processo de transformarem suas vidas, suas profissões, seus relacionamentos, se vêem à beira de seus próprios precipícios.

Todos nós nascemos para voar, sem exceção, mas só descobrem isso aqueles que se jogam no ar.

Tenho acompanhado pessoas que estão há muitos anos sentadas à beira, pensando, lendo, conversando, medindo o tamanho do buraco, a velocidade do vento, e simplesmente não voam.

Outros novatos vieram correndo e se atiraram, sem mesmo esperar suas asas crescerem, e fizeram um grande estrago. Alguns até hoje pensam que voar é impossível, pois somos mais pesados que o ar.

Quais são os precipícios da sua vida hoje?

Uma mudança de carreira, de empresa, de país? Um novo relacionamento amoroso, uma nova amizade? Um novo estilo de vida, um novo compromisso, um filho?

Você o consegue ver? Está ainda no pé da montanha, parado pensando ou no alto, preparado para voar?

Seja como estiver, preste bastante atenção ao seu redor. Fique atento se alguém se aproximar de você.

Pois se eu estiver passando por aí, eu vou te empurrar.

E depois não diga que eu não avisei!

Publicado em: Portal Carreira & Sucesso

O feito é melhor que o perfeito

Suzane
*Suzane Jales é colaboradora do blog, companheira de missão de vida e amiga de alma.

Há dias venho fazendo um curso sobre empreendedorismo digital que considero importantíssimo. A velocidade com que praticamente tudo acontece na internet me fascina e eu já estava me considerando “ultrapassada” nessa área. O curso, claro, é quase todo online… E eu fico imaginando o quanto a gente pode se desenvolver por conta dessas facilidades.

Mas o que quero dividir hoje com vocês é algo sempre repetido pelo meu professor, Érico Rocha – uma das frases que está estampada na parede do Facebook: “O feito é melhor que o perfeito”.

Vocês não têm noção do efeito que uma frase como essa provoca em alguém perfeccionista. Sei disso porque já fui muito assim… E eu dizia isso com um orgulho danado: “Eu sou perfeccionista!”. Por muito tempo, por exemplo, eu até definia meu trabalho como “a busca da excelência humana”.

É que, para minha geração, o erro era como um atestado de incompetência.

Com o tempo, fui vendo as coisas de modo diferente… Entendi, por exemplo, que só se aprende a fazer, fazendo… Então, o erro faz parte do aprendizado. E isso partiu dos ensinamentos de outro grande mestre com quem estudei – Stephen Paul Adler – que costuma dizer: “Nós somos perfeitamente imperfeitos”.

Dar o melhor de si, mas não se cobrar a perfeição tem sido um longo aprendizado para mim. Tive que romper muitos conceitos antigos até entender isso.

Mas, ainda assim, a frase dita por Érico Rocha me pegou de surpresa e fui digerindo-a devagar… Aí eu lembrei-me de quantas vezes eu deixei de fazer algo porque achava que ainda não estava bom… De quantas mudanças foram proteladas porque era melhor esperar ter mais grana… De quantas viagens não foram feitas porque eu não havia me preparado “o suficiente”… De quantas ideias foram perdidas porque ainda não estavam completas…

Então, entendi tudo: uma pessoa que está em busca da perfeição, termina não realizando porque sempre acha que falta “algo” pra estar ok.

E quer saber? Foi um alívio entender isso. É como se eu tivesse tirado um peso enorme das minhas costas. Ufffa!

E você, também tem adiado o que tem por fazer esperando a melhor hora, ter grana, ter tempo, ter um planejamento mais completo, etc. etc. etc.?

Ah, e para quem ficou curioso, as outras duas frases na parede do Facebook têm a seguinte tradução: O que você faria se não estivesse com medo? e Faça rápido e quebre coisas (ou regras):

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Data marcada

Preparada? Segura no equipamento… Vambora!!!

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Sou uma pessoa com fortes tendências a criar expectativas. Minha autoconsciência e um trabalho intenso e contínuo de desenvolvimento pessoal me ajudam a segurar os pés nos chão, mesmo que a mente fique boa parte do dia nas nuvens.

Não foi diferente com o meu primeiro salto de paraquedas. Fantasiei muito. Imaginei como seria entrar no avião, se me passaria pela cabeça desistir lá no alto, como seria sair pela porta a 10 mil pés… mas no meio de tanta ansiedade eu sentia uma certeza: o salto mudaria a minha vida.

Não vou entrar no clichê de que é preciso ter coragem e nem aconselhar ninguém a fazer o mesmo. Cada um é que deve saber bem dos seus sonhos e planos.

O divisor de águas para mim foi tirar esse meu sonho do plano e marcar uma data para ele. Sinto vontade de saltar há anos, nem sei quantos. E, por algum motivo, nunca dava. Era um amigo que desistia, um compromisso ou uma viagem que surgia, a espera de um preço promocional ou algo do tipo. Quando parei para pensar nas dezenas de desculpas, assumi a responsabilidade de ir, mesmo que sozinha.

Foi no domingo passado. Não tive medo. Mesmo. A vontade era tão grande que encobria qualquer outra coisa. Experimentei a melhor sensação da minha vida na queda livre. E quando cheguei ao solo comecei a chorar um choro que vinha de um lugar muito profundo. Eu ainda não sei exatamente de onde e nem mesmo o porquê da intensidade daquela emoção, mas o que a minha racionalidade conseguiu traduzir até agora foi: a linha que divide um sonho da realidade é apenas uma data marcada.

Nossa Odisseia

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Tenho o privilégio de encontrar em meu caminho pessoas iluminadas. E cada vez tenho encontrado mais. Uma das mais brilhantes é a Suzane Jales, piauiense com mais de 12 mil profissões no currículo.
É ela quem inaugura com as melhores vibrações possíveis as postagens de colaboradores neste blog. Aproveito para expressar aqui, Suzane, minha enorme admiração e gratidão.

Nossa Odisseia

Suzane
Concluí meu curso de PNL Master, pela Iluminatta Brasil, olhando para dentro de mim e vi como é saudável a gente fazer mudanças em nível de identidade.

Revendo os dias de curso, lembrei que, na verdade, nós gostamos de saber que ainda existem heróis e até classificamos assim as pessoas que fazem algo diferente do que está posto como normal – atos heroicos. Mas, raramente, fazemos uma alegoria de como nossa vida também é uma Odisseia: nossa própria viagem pela vida.

Vamos fazer uma simulação? Pense se você já não passou por algo assim: vivia uma vida de maneira tranquila até determinado momento, quando a rotina foi quebrada por algo inesperado. É como se recebesse uma espécie de “chamado”: algo não estava bom e precisava ser mexido… Quem já mudou de emprego, carreira, cidade ou estado civil, por exemplo, sabe bem o que é isso…

No início, quase sempre nos recusamos a enfrentar a mudança, mas um conselho de alguém mais experiente, recebido na hora certa, faz-nos entender que cabe a nós sair da zona de conforto e partir para enfrentar o nosso “dragão”. E quando tomamos essa decisão, atravessamos uma espécie de “portal”: a partir daí não dá para voltar atrás…

No caminho que se abre à nossa frente, enfrentamos desafios que nos derrubam mas, nos tornam mais fortes, pouco a pouco, e nos preparam para novas batalhas. Encontramos também aliados (inclusive de coaches, psicólogos ou terapeutas) que o próprio universo nos manda, na hora que mais necessitamos… E, com a ajuda desses amigos, aproximamo-nos das provações máximas – tipo aquele fundo do poço que muitas vezes passamos, lembra?

Aí, usando todos os recursos de que dispomos e contando com o apoio de parceiros, vencemos e conquistamos nosso objetivo depois de muita luta.

Vitoriosos, preparamo-nos para retornar a serenidade de nosso lar ou do nosso mundo anterior. Entretanto, fomos transformados pela própria jornada e já não somos mais os mesmos. E nos sentimos, muitas vezes, prontos para novas batalhas: já não nos contentamos com pouco se sabemos que podemos ter bem mais!

É assim que nossa vida acontece… E, como nos questionou nosso mestre Nicolai Cursino: “Não seria interessante vê-la como uma grande aventura?”.

jornada do heroi

O poder da escolha

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Nesta semana, tomei uma decisão muito importante. E, como é comum sempre que temos grandes escolhas a fazer, tive medo. Medo de errar, medo de me arrepender. Mesmo a decisão já estando tomada – racional e emocionalmente –, no caminho até a sua concretização, estava aflita.

Sempre levo um livro na minha bolsa para aproveitar o tempo ocioso. O que escolhi para esse dia foi uma das melhores companhias para momento: A tríade do tempo, do Christian Barbosa. Abri, coincidentemente, numa parte chamada “O poder da escolha”, que fala de como é bom termos a oportunidade do livre arbítrio.
Transcrevo aqui uma das citações do livro:

A escolha é sua

Você pode escolher entre curtir ser quem você é ou viver infeliz por não ser quem gostaria.

Você pode escolher entre assumir a sua individualidade ou sempre procurar ser o que os outros gostariam que você fosse.

Você pode escolher entre se divertir ou dizer em tom amargo que já passou da idade e que essas coisas são fúteis e nada têm a ver com você

Você pode escolher entre amar incondicionalmente ou ficar se lamentando pela falta de gente à sua volta.

Você pode escolher entre ouvir seu coração ou agir apenas racionalmente, analisando a vida antes de vivê-la.

Você pode escolher entre deixar tudo como está para ver como é que fica ou realizar as mudanças que o mundo exige.

Você pode escolher entre deixar-se paralisar pelo medo ou agir com o pouco que tem e muita vontade de vencer.

Você pode escolher entre amaldiçoar sua sorte ou encarar a grande oportunidade de crescimento que a vida lhe oferece.

Você pode escolher entre achar culpados e desculpas para tudo ou encarar que é você quem decide o tipo de vida que quer levar.

Você pode escolher entre traçar seu destino ou continuar acreditando que ele já estava escrito e não há nada a fazer.

Você pode escolher entre viver o presente ou ficar preso a um passado que já se foi e a um futuro que ainda não veio.

Você pode escolher entre melhorar tudo o que está à sua volta e a si próprio ou esperar que o mundo melhore para que então você possa melhorar

Você pode escolher entre continuar escravo da preguiça ou tomar a atitude necessária para concretizar seu plano de vida.

Você pode escolher entre aprender o que ainda não sabe ou fingir que já sabe tudo.

Você pode escolher entre ser feliz com a vida como ela é ou passar todo o seu tempo se lamentando pelo que ela não é.

A escolha é sua…

“A vida é muito curta para ser pequena”

Fiquei encantada com a beleza do filme/documentário Eu maior, disponível gratuitamente para download e visualização em alta definição desde o seu lançamento. Vale muitíssimo a pena investir um momento do seu dia para assisti-lo. Segue uma palhinha das reflexões:

“…se a felicidade tivesse um som, seria o silêncio…”

“…durante a crise, tudo aquilo que não é substancial cai. E fica só a substância. Então, a dor está a serviço de um complexo muito mais vasto…”

…a tristeza é uma emoção natural importante porque ela nos ajuda a deixar morrer. Pra poder renascer. O problema é que todo mundo quer renascer, mas ninguém quer morrer…”

“…as emoções em nós são muito rápidas, instantâneas. O resto é memória. Quando nós seguramos algo, nos limitamos. E nós tendemos a segurar a dor, o sofrimento…”

“…se nós causamos o nosso próprio sofrimento por ignorância, sem o autoconhecimento, como vamos nos libertar?…”

“…a dúvida é um grande presente. O que importa é o querer saber, não o saber tudo…”

“…as pessoas estão sempre transferindo a felicidade para a próxima estação. Por isso, não são felizes…”

“…as duas maiores perguntas: Quem é Deus? Qual é a minha essência? Quem sabe, no fim, a gente descubra que a essência do ser é Deus…”

“…a vida é muito curta para ser pequena…”

Baixe o filme clicando aqui.

Os 5 maiores arrependimentos dos pacientes terminais

Começo esse post com três perguntas:

1. O que você mais valoriza na vida?
2. O que você mais gosta de fazer?
3. Como você ultimamente vem aproveitando as duas respostas às perguntas acima?

pulo recorte

O livro “The top five regrets of the dying”, escrito por Bronnie Ware, uma enfermeira especializada em cuidar de pessoas próximas da morte, traz uma série de questões interessantes. Algumas são bastante óbvias, mas nos fazem pensar em como estamos agindo. Vale sempre nos perguntarmos em nossas atividades: Para que estou fazendo isso? Para quem?

Os 5 maiores arrependimentos

1. Eu gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim.

2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto.

3. Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos.

4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos.

5. Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz.

Leia o artigo completo aqui

Strategic Foresight Workshop com Peter Bishop

Nos dias 24 e 25/09, terei o prazer de fazer a abertura e participar do terceiro workshop internacional do Instituto Ermínia Sant’Ana. O mesmo evento, que trouxe no ano passado o encantador Domenico de Masi, do Ócio Criativo, terá desta vez o futurologista Peter Bishop, da Universidade de Houston. Ele é especialista em antecipação de cenários e é consultor de empresas como NASA, IBM e Nestlé. As inscrições presenciais estão todas preenchidas, mas as palestras de abertura e encerramento serão transmitidas gratuitamente em altíssima qualidade pela Live One. Clique na imagem abaixo para acessar a sala de transmissão.

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O entusiasmo e a gestação da mudança

“alguns vivem, outros apenas existem” – Foto: Pablo Dario Contreras

Nesses tempos de manifestações por todo lugar contra várias coisas, muita gente fica perdida, sem entender bem o porquê de tudo isso ou em que isso tudo vai dar. Eu mesma cheguei a me questionar em determinado ponto se o meu entusiasmo me fazia parte de uma simples massa de manobra. Pra quê, afinal?

Encontrei meu motivo assistindo a uma entrevista do inspirador Galeano – de 2011, na Espanha, mas totalmente aplicável a esse nosso momento –, resgatada pelo também jornalista, meu amigo Cristiano Castilho.

Segundo Galeano, “entusiasmo” vem do grego e significa ter os deuses dentro da gente. E sentir isso é a prova de que viver vale a pena:

“Porque viver está muito, mas muito além das mesquinharias políticas, onde se ganha ou se perde… Vivemos num mundo infame, eu diria… Um mundo mal nascido. Mas existe um outro mundo na barriga deste mundo, esperando – que é um mundo diferente. Diferente e de parto complicado. Não é fácil o seu nascimento. Mas, com certeza, pulsa no mundo em que estamos um mundo que ‘pode ser’. E eu o reconheço nessas manifestações espontâneas… que são a prova disso. E alguns me perguntam: ‘o que vai acontecer?’ ‘E depois?’ ‘O que vai ser?’. E eu respondo o que vem da minha experiência. Digo: Bom… não sei o que vai acontecer. E tampouco me importa muito o que vai acontecer. Me importa o que está acontecendo. Me importa o tempo que é. E o que é é o tempo que se anuncia sobre outro tempo possível, é o que acontecerá. Mas o que acontecerá no fim, eu não sei. É como se me perguntassem (o que vai acontecer) toda vez que me apaixono, quando vivo uma experiência de amor de verdade… quando sinto que vivo… e não me importa se morrerei nesse momento mágico que me acontece. O amor é assim: infinito enquanto dura. E o importante é que seja infinito enquanto dure”.

Não sei no que vai dar. Mas o que está acontecendo me deixa com a certeza de que estamos começando a sentir as contrações do parto de um mundo que a gente quer fazer. E ele é nosso.

Deixa cair

paraquedas estiloOuvindo uma música do Vinícius essa semana, eu parei para pensar no quanto nós nos prendemos para tentar controlar as situações e evitar os erros. E a conclusão que chego é que a graça da vida – aquilo que realmente nos marca, que dá o tempero – está no sentido oposto: nas surpresas, nas aventuras, nas paixões inesperadas… Não significa que não tenhamos que planejar, controlar, buscar, estabelecer metas. Mas passar a vida só fazendo isso a deixa muito chata.

A música diz:
“Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão.” (ouça aqui)

Como uma coisa sempre puxa outra… me lembrei de um texto também muito inspirador, escrito e lido aqui pelo Eduardo Galeano, que em determinada altura diz:
“Seremos imperfeitos. Porque a perfeição continuará sendo o chato privilégio dos deuses. E nesse mundo… nesse mundo trapalhão e fodido seremos capazes de viver cada dia como se fosse o primeiro e cada noite como se fosse a última”.

E para quem se empolgou com o assunto e – como eu – tem um pézinho no perfeccionismo, segue essa excelente palestra no TED da Kathryn Schulz. Aqui vai uma palhinha:

“Se você quer realmente redescobrir o maravilhamento, você precisa dar um passo para fora daquele pequenino e aterrador espaço das certezas e olhar ao redor, para os outros, e observar a vastidão, a complexidade e os mistérios do universo. E ser capaz de dizer: ‘Uau, eu não sei. E talvez eu esteja errado”.

E se você não precisasse ganhar dinheiro?

Estou ensaiando há semanas para dividir um vídeo com vocês, mas não estava encontrando tempo para atualizar o blog no aperto da agenda… Até que levei um puxão de orelha muito carinhoso de uma leitora do Acre. Aqui está, Mirla. Este post é dedicado a você e a todos que sentiram falta das mensagens.

A pergunta do título é daquelas que, geralmente, nos coloca uma ruga na testa, nos faz olhar pra cima e questionar o caminho tomado até agora. E se dinheiro não fosse importante? Se não fosse fator decisivo nas escolhas de carreira? O que você faria?

Promover esse tipo de questionamento foi um dos maiores legados de Alan Watts. E você, que legado quer deixar para os filhos, netos… para o mundo?

Brilhar

Na semana passada, participei de um curso surpreendente. Meu objetivo era aprender hipnose clássica e ericksoniana e ter mais ferramentas para o meu trabalho. Mas saí de lá com muito mais. Tive uma lição sobre medos e felicidade que se resume bem neste presente de Nelson Mandela:

“Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida.
É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Nos perguntamos: ‘Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?’
Na verdade, quem é você para não ser tudo isso? … Bancar o pequeno não ajuda o mundo.
Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você.
E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente, damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo” (Discurso de posse, 1994).

Agradeço ao Nicolai Cursino. Pela mensagem e pela sensibilidade com a qual nos conduziu.

Troca de energia


Nos meus treinamentos e atendimentos de coaching, recomendo que, diante de um desafio, evitemos pessoas negativas, aquelas que minam nosso entusiasmo.

O ideal seria evitá-las sempre e conviver apenas com gente otimista, mas os pessimistas costumam estar por todo lugar: na empresa, na família, entre os amigos. Portanto, o melhor a se fazer é evitar falar de objetivos ainda não concluídos com essas pessoas; prefira assuntos genéricos que não envolvam a sua motivação.

O contágio da energia
Algumas correntes da física quântica defendem que o mundo, pelo menos em parte, é criado pela nossa mente. Como somos compostos de partículas e energia, seríamos capazes de alterar nossa própria matéria, criando doenças e curas, nos programando para o sucesso ou para o fracasso…

Ou seja, de um modo bem geral, fazemos com a nossa vida aquilo que pensamos para ela. “Se você pensa que pode ou se pensa que não pode, de qualquer forma você está certo”, disse Henry Ford.

Como nossas interações se dão também por ondas de energia, as pessoas ao redor podem influenciar nosso comportamento.

Metrônomos dissonantes e o poder do contágio
Metrônomo é aquele dispositivo usado para marcar o tempo musical que, depois de configurado, produz pulsos de duração regular.

O vídeo abaixo, indicado pela amiga Fabíola Berger, mostra algo bem interessante. São 32 metrônomos dissonantes (cada um começando a marcar os pulsos em um ritmo diferente). Colocados sobre uma superfície móvel, em questão de minutos eles começam a marcar o ritmo sincronizadamente.

Tanto energia “positiva” quanto a “negativa” são contagiantes. Escolha bem os metrônomos ao seu redor.

Você está fazendo o que ama neste momento?

Comentamos no post anterior a mudança de paradigma que as novas gerações vêm provocando. O vídeo abaixo (ótima dica da amiga Cristiane Esteves) trata dessas transformações no trabalho.

Diferente dos exemplos que quase todos nós tivemos do nossos pais e avós, sucesso hoje significa prazer. E mais importante que chegar ao destino, curtir o caminho é o que faz toda a diferença.

Viva a mudança!?

De repente, uma preocupação nas empresas: a geração Y, que chegou impactando, surpreendendo e assustando quem estava acostumado a outro ritmo de trabalho e de carreira.

Já ouvi que a tal geração, dos nascidos a partir da década de 80, é um pesadelo; uma rapaziada sem noção de hierarquia, inquieta e excessivamente questionadora. Não aguenta esperar anos por uma promoção e abandona com facilidade “grandes oportunidades” em busca do que sente vontade.

Essa geração, altamente especializada e conectada, chegou mesmo para mudar as estruturas. Busca aliar prazer ao trabalho, deixando as coisas menos rígidas, morosas e tradicionais. Parece bom, não?!

Para dar o melhor de si, no entanto, precisa de suporte e feedback. São pessoas carentes de atenção. Ou seja, somente apoiadas pelos mais experientes, poderão promover a transformação do trabalho em algo mais divertido, criativo e estimulante.

Não há o que temer. Não há substituição. Há sim uma mudança de paradigma.

O vídeo abaixo fala sobre isso. É sensacional.

Vença o medo de falar em público

O medo de falar em público afasta das apresentações muita gente com excelentes ideias. Nos meus processos de coaching e treinamentos de oratória, encontro pessoas absolutamente comunicativas e desenvoltas, mas que fazem de tudo para fugir do microfone, mesmo sabendo que essa habilidade é importante para a carreira. Por trás desse bloqueio, quase sempre estão crenças do tipo: “não nasci para isso”, “já tentei e não deu certo”, “não consigo falar para mais de três pessoas que me enrolo todo”.

Existem, no entanto, técnicas e ações que podem mudar as apresentações da água pro vinho, mesmo daqueles que se julgam maus comunicadores.

Uma delas, que tomei emprestada da psicologia, ajuda muito no controle da ansiedade.

A.C.A.L.M.E.-S.E.*

1. Aceite a sua ansiedade – O mais importante para lidar com a ansiedade é aceitá-la plenamente. Aceitar o que não podemos mudar é a melhor maneira, e o primeiro passo, para haver alguma mudança. Aceitar não é acomodar, desistir ou não fazer nada. É parar de lutar contra algo diante do qual é impotente. Permaneça no presente, isto porque pessoas ansiosas vivem no futuro e perdem o presente. Elas vivem no “E se isto vier a ocorrer?”, “E se eu não conseguir?”, “E se não encontrar alguém que me ame?”, etc. Aceite as sensações em seu corpo. Não lute contra elas. Lembre-se que você já fez exames médicos revelando que não existem lesões físicas em seu corpo. Tudo está normal nele. É a ansiedade que produz tais sintomas físicos. Pense nisto. Diga para sua ansiedade: “Se você quer ficar por aqui por um tempo, então pode ficar, mas eu vou seguir minhas atividades agora!”. Aceitar a ansiedade faz com que ela desapareça. Lutar contra ela para evitá-la, faz com que ela aumente.

2. Contemple as coisas em sua volta – Depois deste rápido diálogo sobre o que sente, evite ficar olhando para dentro de você se concentrando no que sente. Confie que seu organismo irá cuidar de tudo muito bem. Olhe fora de si mesmo. Descreva para si o que você observa no exterior. Isto ajuda a afastar-se de sua observação interna. Lembre a si mesmo: “Não sou essa ansiedade!”. Você é um observador da ansiedade. Você está com ansiedade, mas não é a ansiedade.

3. Aja com sua ansiedade – Continue agindo como se não estivesse ansioso. Diminua o ritmo com que faz as coisas, mas mantenha-se ativo. Não fuja das tarefas que está fazendo ou irá fazer. Se fugir, a ansiedade abaixa, mas o medo aumenta e da próxima vez poderá ser pior. Continue agindo, devagar, mas agindo.

4. Libere o ar de seus pulmões – Respire devagar, calmamente, inspirando o ar pelo nariz e expirando longa e suavemente pela boca. Ao inspirar conte até três bem devagar e ao expirar conte até seis devagar também. Faça o ar ir para o seu abdômen, estufando-o ao inspirar e deixando-o encolher-se ao expirar. Ao expirar não sopre, mas deixe o ar sair lentamente por sua boca. Pessoas evitam crises de pânico com este exercício.

5. Mantenha os passos anteriores – Repita-os. Continue a aceitar sua ansiedade; contemplar o exterior; agir com ela como observador e respirar calmamente.

6.Examine agora seus pensamentos – Você deve estar antecipando coisas catastróficas. Lembre-se de que nas outras vezes em que se sentiu assim elas simplesmente não aconteceram. Examine o que você está dizendo para si mesmo e reflita racionalmente para ver se é verdade mesmo o que você pensa de catástrofe. Você tem provas sobre se o que pensa é verdade? Pode entender o que ocorre de outra maneira? Lembre-se: você está ansioso. Isto é desagradável mas é diferente de ser perigoso! Você pode estar pensando que está em perigo, mas você tem provas reais e definitivas disso?

7.Sorria, você conseguiu! – Você merece todo o seu crédito e todo o seu reconhecimento. Usando estes recursos, sozinho, conseguiu acalmar-se e superar este momento desagradável, assustador. Não é uma vitória contra um inimigo, porque não há inimigo real! Você está aprendendo a lidar com sensações desagradáveis em si mesmo que existem por alguma razão emocional. Pequenos estímulos no corpo ou fora dele geram ansiedade, a qual gera concentração no corpo, disparando sintomas (taquicardia, sudorese, tonteira, etc.), que aumenta a ansiedade, que gera pânico. Tudo imaginação ansiosa. Não há um inimigo real. Da próxima vez lembre-se disto!

8. Espere o melhor – Evite o pensamento fantasioso de que nunca mais terá ansiedade. Ela é necessária para viver sem que precise ficar alta demais. Lembre-se que ela é uma resposta normal diante de algo que o ameaça (real ou imaginariamente). O que pode estar errado é o que você começa a pensar quando percebe a presença da ansiedade. Da próxima vez que a experimentar saberá que ela é um “amigo” que avisa que há algo perturbando e não um inimigo que vai matá-lo ou enlouquecê-lo! Você acabou de dar um importante passo em direção à realidade. Da próxima vez pode ser bem mais fácil.

*Adaptado de Beck, Emery e Greenberg (1985) por Bernard Rangé, professor de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental da UFRJ. Via Previtali

Valor Central

Sabe quando racionalmente a gente sabe que deve seguir por determinado caminho pessoal ou profissional, mas tem alguma coisa que parece impedir?

Essa barreira, identificada com frequência nos processos de coaching, geralmente está ligada a duas questões: ou é medo ou é a falta de alinhamento da sua meta com seus valores.

Para separar uma coisa da outra e saber o que está pegando, é importante encontrar o valor central desse seu caminho.

A gente chega ao valor central quando se questiona constantemente sobre o ganho que vai ter ao atingir o objetivo.

Se você concluir que se sentirá feliz, realizado, tranquilo, em paz…, é bem provável que o maior impedimento para a realização seja o medo. E o medo a gente só vence enfrentando.

Será que falamos a mesma língua?

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Distorções de comunicação acontecem a todo momento e em qualquer lugar. Em equipes heterogêneas, então, os mal entendidos fazem parte da rotina. Mas há como minimizar isso bem.

Pense em quando você conheceu seu companheiro ou companheira. Por mais que a paixão nos faça relevar muita coisa, é absolutamente comum que nos atrapalhemos um pouco com a comunicação. Quanto mais tempo se passa com a pessoa, a tendência é de os equívocos diminuírem bastante. Por quê? Porque passamos a pegar o jeitinho do outro, começamos a falar do modo que ele entende melhor.

Isso é adaptar a sua comunicação ao seu interlocutor.

Na empresa
Para garantir que as pessoas entendam melhor a sua mensagem e comprem a sua ideia, é preciso observar o modo de agir de cada um.

Os mais analíticos se convencem quando você detalha bem a informação e explora com cuidado os fatos e dados. Esse tipo de comunicação já não funciona muito com os assertivos, que preferem ir direto ao ponto e enxergar logo o resultado. Os visionários estão sempre com o pé no futuro, gostam de pensar fora da caixa. Os participativos, por sua vez, valorizam o trabalho em equipe. Eles costumam tomar decisões com base na motivação e na flexibilidade.

Para finalizar o alinhamento da comunicação, pergunte sempre para a pessoa – com delicadeza – se ficou claro o que você disse. Se for o caso, peça gentilmente para que ela repita o que é preciso ser feito.

E se lembre de que a abertura do outro é conquistada quando você consegue também ser mais transparente.

7 passos para melhorar o relacionamento com sua equipe

7 passos para melhorar o relacionamento com sua equipe
“Errar é humano. Botar a culpa nos outros também”. Millôr Fernandes

Ouço com muita frequência de clientes, colegas e altos executivos que gerenciar processos é fácil. O problema é gerenciar pessoas. Sem dúvidas, esse é o maior desafio para quem quer se manter no comando.

Onde há gente, há conflito iminente. Para apaziguar a situação e não deixar que o clima fique pesado e prejudique a sua equipe e, consequentemente, toda a organização, é preciso ter em mente algumas premissas.

Autoliderança
Para liderar os outros é preciso ter uma boa carga de autoconhecimento e autocontrole. Só há lugar equilibrado quando há pessoas equilibradas. Comece por você.

Interesse pelo outro
Dar bom dia, deixar a porta da sala aberta, ter interesse sobre o bem estar das pessoas ao seu redor, estar disponível para solucionar algum problema… São atitudes simples que dão leveza ao ambiente.

Adaptar a comunicação
Quanto mais você adequar a sua comunicação à do seu interlocutor, mais eficaz será a sua mensagem.
Esse assunto é tão valioso que vale o post da semana que vem.

Valorizar a diversidade
Diversidade é bom; desigualdade, não.
A heterogeneidade gera criatividade e é elemento chave das equipes de alta performance. A administração de diferentes, no entanto, deve ser mais cuidadosa. A comunicação tem que ser adequada a cada pessoa. O respeito, no entanto, deve ser igual a todos. Eleger favoritos pode destruir uma equipe.

Transparência
Quando as informações não circulam, outras versões são criadas. Para evitar a ‘rádio peão’ – que gera intrigas e afasta as pessoas –, estimule a comunicação clara e direta.

Feedback
É importante ressaltar que feedback não é dar bronca. Se aplicado de forma adequada, pode ser um excelente instrumento de desenvolvimento e motivação.

Ouvir e perceber
Quase sempre, as respostas para os conflitos estão no ar. Basta apurar a percepção para identificá-las. Cultive o hábito de conversar abertamente com a sua equipe. Isso ajuda a identificar potenciais problemas antes que eles aconteçam.

Ócio produtivo


Há alguns dias, tive a oportunidade de passar horas conversando e, principalmente, ouvindo o sociólogo italiano Domenico de Masi. Uma das pessoas mais fascinantes que conheci.

Ele é o defensor do ócio criativo como forma de atingirmos a plenitude em nossas atividades e estimularmos a criatividade. A sugestão é de que a todo momento devemos unir diversão, estudo e trabalho – seja quando estamos trabalhando, estudando ou nos divertindo. Para tanto, é preciso rompermos as fronteiras horárias de nossas obrigações: contemplar uma bela paisagem através da janela pode ser perfeitamente também um tempo de estudo e trabalho.

Trecho de O Ócio Criativo – Domenico de Masi
“O trabalho poderá tornar-se uma fonte de felicidades, como já o é para muitos empresários e altos executivos, se as empresas transformarem a competitividade em competência e a destrutividade em relações solidárias. Se elas forem mais cuidadosas com a estética de seus ambientes e objetos de trabalho. Se adotarem boas maneiras nas relações interpessoais e introduzirem um pouco da alma feminina em seus castelos embarricados pelos homens. Se abrirem uma brecha nos seus muros de proteção permitindo a entrada de um pouco de ar puro. Aí sim, o trabalho, junto ao calor do convívio cordial se tornará uma oportunidade para a socialização, o prazer e a melhoria contínua da qualidade da vida. Igualmente, para que a empresa tenha este carisma será sempre necessária a presença de chefes que incutam o entusiasmo, liberem os grupos dos procedimentos inúteis, gratifiquem os criativos, olhem para o futuro, promovam a inovação e tenham coragem de enfrentar o desconhecido. Para tanto, as condições ideais ainda são aquelas descritas por Platão em O banquete: comodidade, um grupo de amigos criativos, paixão pela beleza e pela verdade, liberdade carismática, tempo à disposição sem a angústia de prazos e vencimentos improrrogáveis. Felicidade, afinal, consiste também no fato de não ter prazos a cumprir. Precisamos, portanto, educar as pessoas para o ócio, enriquecendo as coisas de significado, preparando-as para gozarem a vida e não, apenas, para exercerem profissões. Enfim, para descobrirem que o paraíso existe e que é aqui na terra. Mas o inferno também existe e consiste em não se dar conta de que vivemos num paraíso.”

7 passos para aproveitar bem a sua semana

7 passos para aproveitar bem a sua semana
Quando perdemos o controle das nossas atividades, temos a impressão de que a semana voou e não deu para fazer quase nada. Os afazeres se acumulam na agenda, sobram tarefas para os momentos de descanso e o sábado e o domingo, que deveriam ser livres, acabam em mais trabalho.

Para que a semana fique bem equilibrada e produtiva, é importante observarmos alguns passos:

1. Ter visão global da agenda
É importante definir o que é fixo e o que é remanejável para distribuir as atividades de modo harmônico. Acumular muitas tarefas em um só dia pode comprometer a agenda ou deixá-lo exausto.

2. Estabelecer prioridades
Não dê margem à procrastinação: o que é mais importante deve ser feito primeiro.

3. Estabelecer pausas para refeições
Saco vazio não para em pé. Por mais que o dia esteja corrido, defina pausas claras na agenda para se alimentar bem, de modo saudável e com calma. Além de contribuir para a sua saúde, a boa alimentação o ajuda a se manter concentrado.

4. Delegar e saber dizer não
Quem quer dar conta de tudo, gasta muito energia e nunca fica satisfeito. Liste as tarefas diárias que pode delegar; e diga não àquilo que realmente não for importante.

5. Exercitar o corpo
Investir em exercícios físicos aumenta seu desempenho e potencializa sua energia para outras atividades.

6. Respirar corretamente
Fazer pequenas pausas para respirar calma e profundamente ajuda a manter o foco no presente.

7. Descansar na hora de descansar
Uma agenda bem montada permite que você tenha um tempo para você sem se preocupar com o trabalho. Aproveite!

Para falar bem, respire


Qualquer treinamento de comunicação que faço tem uma premissa que acompanha todo o processo: a respiração.
É simples: precisamos dela para viver. Não dá para esquecer de respirar.

Nas situações tensas, quando a voz precisa sair e não sai, não é a voz. É a respiração que fica presa.

Então, antes de falar, experimente primeiro soltar todo o ar dos pulmões. Depois, inspire profundamente até encher a barriga e o peito. Segure um pouquinho e aí solte o ar devagarinho, sentindo a movimentação dos seus músculos. Isso vai liberar a respiração, ou seja, soltar a sua fala.

Pedrinhas e montanhas

pedrinhas e montanhas
Hoje de manhã, li um texto que certamente vai mudar a minha semana. E não poderia deixar de compartilhar com vocês.

É uma historinha chamada “Esperança e Mudança” e fala da importância de a gente seguir, mesmo quando as coisas não estejam um mar de rosas.

Todos nós somos influenciados por pensamentos positivos e negativos, por momentos de segurança e ansiedade; memórias boas e dolorosas.

Quando nos agarramos aos aspectos positivos, seguimos em frente com facilidade. Os ruins, no entanto, costumam ser tão valorizados por nós a ponto de nos frear – e, em determinadas situações, até retrocedemos.

A conclusão desse texto é simples: os sentimentos ruins também fazem parte do caminho, assim como os bons. Devemos entender que temos ansiedade, por exemplo, mas não somos a ansiedade. Ou seja, ela é um dos ingredientes que farão parte da nossa caminhada. E só. Não precisamos ignorá-los, muito menos sobrevalorizá-los.

Devemos encarar esses sentimentos assim como as pedras de uma estrada em nossa caminhada. Sabemos que elas atrapalham um pouco, mas fazem parte de um cenário muito mais vasto para nos focarmos apenas em detalhes.

Respire fundo e contemple a paisagem.

Não há vitória sem suor

Estudos, pesquisas e entrevistas com quem experimentou o sucesso vêm nos mostrando um diferencial dessas pessoas: elas acreditam que têm controle sobre as próprias vidas – que podem decidir pelo o que querem e conseguem dar um jeito caso as coisas não saiam como o planejado.

Kazuo Inamori, fundador da Kyocera, diz que o êxito de qualquer projeto depende da capacidade de execução (aqui entram os talentos e habilidades) e também da dedicação e do entusiasmo. Ele pontua, no entanto, que o modo de pensar é o fator determinante.

Pessoas que pensam negativo, que costumam desacreditar sempre, dificilmente conseguem avançar ou até ajudar no progresso de alguém.

O contrário, pensar positivo, não significa ignorar as dificuldades, mas acreditar que elas são superáveis e inerentes ao processo de conquista. Não há vitória verdadeira sem suor.

Aos pessimistas, uma boa notícia: podemos mudar nosso modo de pensar. Acredite.

Crie sintonia


Sabe quando a conversa com uma pessoa está tão gostosa que você nem vê o tempo passar? Essa sintonia tem nome: rapport.

Entramos em rapport facilmente com as pessoas em quem confiamos e que, de alguma forma, pensam de modo parecido conosco. Inconscientemente, começamos a usar palavras semelhantes, a gesticular da forma similar, a falar no mesmo tom e volume, a piscar e até respirar na mesma velocidade.

Sabendo disso, é possível estimular o rapport com clientes, funcionários, colegas, novos amigos, parentes…

O primeiro passo é respeitar o outro e compreendê-lo, mesmo sem concordar com o que ele está dizendo (lembre-se de que cada um de nós tem uma forma de enxergar o mundo).

O rapport também só funciona se a intenção for positiva, clara e sincera – manipulação, por exemplo, não cria rapport.

Tendo isso em mente, comece a copiar, de modo discreto, alguns gestos e palavras do seu interlocutor. Se ele cruzar as pernas, cruze as suas também ou cruze as mãos. Anote mentalmente algumas palavras e expressões que ele utiliza e use-as quando você estiver falando.

Unindo essa técnica de espelhamento à sua atenção ao ouvir, o rapport começa a ser criado. Quanto mais respeito mútuo houver, maior a sintonia da conversa.

Sócrates e a liderança

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Você costuma questionar as suas verdades? Abrir-se para novas ideias? Em que você se baseia para tomar as suas decisões? Costuma levar adiante aquilo em que acredita, mesmo sendo questionado pela maioria? O que há de inovador na sua vida, na sua empresa, no seu departamento…?

Sócrates, um dos homens mais sábios da Grécia, costumava dizer: “só sei que nada sei”. Para ele, somente duvidando do próprio conhecimento, é possível chegar a novas conclusões e a melhores soluções.

Aqui no blog, falo muito sobre o papel do líder. Vamos pensar, então, no que Sócrates tem a nos ensinar sobre ser seguro a ponto de ouvir o que os outros têm a dizer; questionar as nossas crenças e, finalmente, defender as nossas próprias posições.

Invista alguns minutos do seu dia para assistir a esta sequência de vídeos sobre Sócrates e a autoconfiança.