Renato Grinberg, ex-músico revelação da música erudita nacional e atual presidente do Trabalhando.com, mostra como revolucionou a própria trajetória profissional

Talita Abrantes, de

São Paulo – “Na carreira, às vezes, é preciso abandonar os sonhos”. É assim, sem meias palavras, que Renato Grinberg, diretor do site Trabalhando.com, justifica porque colocou de escanteio a carreira de violonista clássico para se enveredar pela selva do mundo corporativo, como ele mesmo gosta de classificar.

Mas não pense que essa frase vem com um ar de peso, quase arrependimento. Grinberg está muito satisfeito com o que faz, obrigado. Quando decidiu desistir do violão como meio de vida, o executivo tinha 25 anos, três CDs gravados e o nome na lista dos mais promissores da nova geração de violonistas clássicos. Apesar disso, não estava totalmente feliz.

Decidiu colocar em ação, então, meios para transformar seus objetivos em fatos concretos. Foi para os Estados Unidos. Fez um curso de MBA. Virou gestor de empresas como Sony Pictures e Warner Bros.

Na próxima terça, irá lançar seu primeiro livro “A estratégia do olho de tigre” (Editora Gente) onde defende algumas estratégias para o sucesso na vida profissional. Em entrevista a EXAME.com, mostra, à luz da própria história, como e quando cada profissional deve fugir da inércia e revitalizar a carreira.

EXAME.com: Por que você desistiu da ideia de usar o violão clássico como meio de vida?
Renato Grinberg:
Quando negociava contratos grandes em eventos musicais, eu ficava muito satisfeito. Com isso, percebi que o que me movia era fazer algo grande. Na música, o caminho era ficar famoso. Mas com violão clássico? Isso é muito restrito. Eu vi que a excelência da profissão eu atingi. Mas o reconhecimento não vinha.

EXAME.com: O que foi decisivo para você mudar totalmente seu foco de carreira?
Grinberg:
O autoconhecimento. Eu falei: vou abandonar esse sonho e transformar meu objetivo de fazer algo grande em realidade.

EXAME.com: Qual a diferença entre sonhos e objetivos profissionais, então?
Grinberg:
O sonho não tem barreiras, nem restrições ou planejamentos. Aí, eu vou contra os autores de autoajuda. Tem horas em que você precisa, sim, abandonar seu sonho e ser maduro para transformar seu objetivo em algo palpável.

EXAME.com: Há uma hora certa para mudar?
Grinberg:
No plano físico, a dor para avisa que alguma coisa está errada. No campo psicológico, a insatisfação é essa dor. Se tudo o que está fazendo não conduz você para seus objetivos, então é hora de mudar. Mas é preciso ter um alvo. Tem gente que só troca de empresa, mas não está evoluindo. Sem um objetivo, qualquer coisa serve.

EXAME.com: Como lidar com o fracasso?
Grinberg:
Meu primeiro trabalho nos Estados Unidos foi colar etiqueta em uma produtora musical em Los Angeles. Quando vi que essa seria a tarefa, meu ego foi destruído. Mas eu engoli, respirei fundo e decidi fazer.

Se eu não tivesse encarado as etiquetas, três anos depois não estaria na Warner. Aquele fracasso era, na verdade, uma oportunidade disfarçada. Muito brasileiro sofre da “síndrome do não compensa” e com isso perde boas chances.

EXAME.com: Quando compensa?
Grinberg:
Quando está mais próximo do seu objetivo. No meu caso, colar etiqueta em uma produtora musical em Los Angeles estava mais próximo do meu alvo do que tocar em um concerto num lugar legal.

EXAME.com: Isso significa que é imprescindível dar alguns passos para trás?
Grinberg:
Você está mudando de carreira, é normal que precise provar algo antes de subir. Quando você vai tocar uma peça musical complexa, você começa com pequenos pedaços. Se desistir, nunca verá aquilo se transformar na música.

EXAME.com: Em seu livro, é muito recorrente a comparação do mundo corporativo com uma selva. Como não perder a identidade?
Grinberg:
Tendo prioridades muito claras. Eu sempre quis ter sucesso. Fiz sacríficios, mudei de país. Mas meu objetivo de ter sucesso nunca passou por cima das minhas prioridades como pessoa. Quando minha filha nasceu e a situação ficou mais difícil para a minha mulher, voltamos para o Brasil. Seria um contrassenso eu querer fazer algo grande e ajudar as pessoas, se na minha própria vida eu não conseguisse fazer isso.

EXAME.com: No livro, você diz que cada um é responsável pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Em mudanças de carreira, isso se torna mais difícil. Como você lidou com isso?
Grinberg:
Deixando claro quais eram as minhas expectativas e as da minha família. Eu admiti que esses anos seriam duros, que eu teria que me dedicar. A partir do momento em que a minha família estava envolvida nessa decisão, houve apoio. Obviamente que há alguns limites. E para respeitá-los é preciso muita disciplina.

EXAME.com: E quando os planos não dão certo?
Grinberg:
Você não controla o que acontece com você, nem o que sente com o que está acontecendo. Aqui vale lembrar o conceito de “custo irrecuperável”. Se você investiu um milhão em um negócio, você não pode pensar no quanto já investiu se o projeto não está dando certo.

Extraído do site Exame.com
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