Essa reflexão é sobre aceitar ser cuidado. Descobri que tenho muito mais dificuldade nisso do que eu imaginava.
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Nesta última semana, me dediquei a cuidar de um grande amigo que estava em enorme sofrimento. Fiz tudo o que acreditava ser o melhor. E de fato ele está agora muito bem amparado.
Eu, no entanto, me permiti sair do meu equilíbrio pelo orgulho que pedir ajuda ainda representa para mim. Eu pedi porque a situação era de fato muito grave e percebi que o constrangimento causado por esse pedir gera uma forma inexplicável de irritabilidade. E essa irritabilidade, por sua vez, gera uma cegueira em relação a todo o amor que um processo de doação envolve.
Me peguei seriamente no seguinte questionamento: como é possível ser genuína a minha doação se não aceito bem receber? Como explicar a quem quero ajudar que no sentido eu-para-ele está tudo bem, mas a via inversa não?
Ainda não encontrei uma resposta clara, mas fui inundada por uma gratidão tão grande ao chegar a essa pergunta que me propus arriscar mais experimentar o chá e a acolher o acalanto. Ser forte é muito bom, mas reconhecer o momento de receber colo talvez seja muito sábio.

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