Durante 32 dias, estive no Sudeste Asiático numa jornada que me ensinou coisas lindas sobre mim e sobre o mundo. Caminhei por Myanmar, Camboja, Vietnã, Laos e Tailândia. Ainda em solo asiático, perto de voltar, escrevi um texto que quis compartilhar aqui.

AsiaFinal desta jornada. A imensidão dentro de mim não se traduz. Aprendi nessa viagem que se a gente se conhecesse melhor, o mundo não teria conflitos, porque todo preconceito é fruto do simples desconhecimento. Vim para a Ásia acreditando que encontraria um povo pobre e sofrido, que me mostrou uma riqueza que dinheiro nenhum compra. Pensava que teria problemas com a comida e a higiene e não tive uma refeição sequer que não tenha desejado repetir e aprender a fazer. Achava que os exóticos eram eles, enquanto a exótica para eles era eu.
Escrevo agora sentada num banco dentro de um templo pequeno, pouco visado pelos turistas. Escuto o som dos passarinhos e das folhas secas sendo varridas pelo vento suave, que também balança meus cabelos, me fazendo cócegas no rosto; a temperatura é agradável. Não sei há quanto tempo estou aqui; tempo, aliás, é uma criação nossa que varia muito de acordo com o nosso estado interno. Monges de vestimentas laranjas caminham pelo pátio com a serenidade de quem sabe que ansiedade nos afasta de nós. Qual então o propósito de se perder na ilusão de não perder algo? O sol dá tons diferentes ao verde das árvores e ao dourado das paredes de terracota vermelha. O cheiro é de frangipani; como são lindas as árvores de frangipani com flores brancas e rosas. Borboletas amarelas brincam de esconde-esconde. Ouço um sino de bicicleta e começa a tocar baixinho ao fundo uma das minhas musicas favoritas, num lindo instrumental. Me questiono se ela é de verdade ou é ilusão. O que é a verdade, no entanto? Escuto um diálogo num idioma desconhecido, mas reconheço que as palavras são de amor. Há sorrisos e onomatopeias de surpresa. Aqui sentada não estou longe nem perto. Tenho o mundo dentro de mim.

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