img_5992Foi a festa mais impressionante da minha vida. Imagine você ter a oportunidade de ir a um riquíssimo casamento tradicional indiano em Jaipur, a cidade rosa, a cidade do amor.

fullsizerender-12No ano retrasado, tive a sorte de ganhar um irmão mais novo indiano, Naman Jain. Ele viveu um ano de intercâmbio no Brasil, como filho dos meus pais. Como boa sis, eu fiquei responsável por coisas que teoricamente ele não poderia fazer sozinho, como comprar álcool, além de explicar sobre como ser discreto, sobre relacionamentos e dividir com ele minha visão de mundo. Creio que tive alguma influência, já que ontem descobri que ele meio que chocou a família logo que voltou do Brasil, ao comunicar que queria estudar jornalismo, relações internacionais, psicologia, que iria viajar o mundo e não pretendia se casar.

Pois bem, ontem quebramos mais algumas regras ao ficarmos abraçados por uns cinco minutos no aeroporto e andarmos grudados e de mãos dadas por todo lugar.

Desde o Brasil, a gente matutava sobre como se encontrar, já que ele está naqueles dois anos finais da escola, perto das provas para as universidades; mora no sul, eu estou morando no norte e a Índia é gigante. Foi quando surgiu a ideia de eu acompanhar a família dele no casamento de uma prima numa cidade no meio do caminho para nós. Uau.

fullsizerender-10

Impressões: a família é imensa, todo mundo é meio que primo. O casamento foi enorme, deslumbrante e cheio de música, flores, luzes, cores, drones e ouro; custou fácil uns dois bons apartamentos. Não há bebida alcoólica, mas, na boa, todo mundo chegou bêbado lá. Até a gente parou pra comprar vinho antes da festa (oba! estava numa baita abstinência porque há regiões na Índia onde álcool é proibido, a minha é uma delas). Havia toneladas de comida ignorantemente deliciosa de todas as partes de mundo. Eram cerca de 40 tendas com pratos diferentes preparados na hora, na nossa frente, servidos em pequenas porções. Experimentei de tudo e saí rolando, me sentindo uma pamonha amarrada no sari.

fullsizerender-14Ah, o sari! Nunca me senti tão linda. Sem exageros. Devo ter vivido muito nessas roupas lá pra trás. Fui preparada para o casamento pela avó, uma tia, uma prima e a mãe do Naman. A mamis dizia a todo o tempo que se sentia vestindo uma filha (ela só teve dois rapazes gatos). Como primogênita, ela é a responsável pela amarração da roupa da família, é a que mais manja dos paranauês. O sari não é um vestido, são metros e metros de um tecido finíssimo, bordado a mão com pedras e brilhos. A regra é: se você está respirando, está largo. Por incrível que pareça, me dei bem com o aperto, mesmo sendo uma cinestésica muito crica com conforto. Deve ser porque eu tava me sentindo toda deusa 😉

Jóias e mais jóias, uma aula básica de boas maneiras com a roupa (não tive coragem de fazer xixi o casório todo – e olha que faço muito xixi) e partimos prontos para o deslumbre. Uau. Uau. Uau. Na saída, ao devolver as joias emprestadas, descobri que algumas delas eram minhas. O sari também. Chorei. No hotel, não queria tirar a roupa nem pra tomar banho.

fullsizerender-11

Como viver o mundo é sensacional. Como é bom amar pessoas em cada lugar. Meu irmão, a gratidão não cabe em mim. Repito a frase mais falada da noite por nós dois: que bom você pertinho, amo muito você.

Anúncios