Último dia na Índia. Dez horas seguidas de sono na cama mais confortável, limpa e cheirosa possível. Me presenteei nos últimos dias com um cinco estrelas inimaginável.

Do elevador ao salão de café da manhã, sou recebida com sorrisos imensos de quem sente que meu coração está aberto. Pessoas elogiosas me perguntam de onde venho. Não digo ‘do Brasil’ e sim ‘de Rishikesh’. Incrível como só tenho encontrado gente nascida lá desde cheguei aqui em Delhi. Talvez porque eu também me sinta um pouco de lá, aí a atração.

Saio do hotel em direção ao metrô, dou alguns passos na rua. Sol intenso. O senhor do tuktuk me oferece transporte até a estação. ‘No change’, eu digo. Ele: ‘ok, no money’ e me leva de graça. ‘God bless you’.

Contrário a todo tipo de medo que me tentaram transmitir desde o início, meu caminho foi recheado de gente educada, atenciosa e carinhosa. O seu Manoj​, da foto, é um exemplo de tudo isso, um combo de amor. Sou sua ‘sweet daughter’. A Índia me foi sempre lisonjeira!

Silêncio. É o que sinto neste instante em minha mente. Graças a quase três meses num lugar sagrado. Graças aos satsangs diários. Graças a doze dias de retiro em mauna, que significa se abster de todo tipo de comunicação, até mesmo olhar o outro… Quanta paz. Quanta graça. Vivi o inferno e vivi o céu. Meu guru é foda.

Compro uma linda e grandiosa escultura, não estava exposta, uma encomenda esquecida: a única de Lakshmi. Era ela. Rara, delicada, esculpida com perfeição. Já de volta ao hotel, reparo que ela está sentada como eu costumo me sentar, com uma perna em lótus e a outra não. Feita pra mim.

No whats, leio e ouço mensagens de amigos e familiares, todas falam de amor e trazem corações vermelhos. ‘Good karma’, como se diz por aqui. Na saída para o aero, encontro mais um conterrâneo de Rishikesh e no check-in garanto os costumeiros 3 assentos. ‘Good karma’.

Sinto neste instante saudade sem apego, talvez coisa de quem tem a certeza de que isso tudo de forma alguma é um fim, pelo contrário, tá só começando.

Brasil, estou no meu caminho. Não de volta, mas de passagem, ainda que longa. Porque meu lugar não é uma casa, uma cidade, um país. É o mundo.

Anúncios